INTRODUÇÃO
Nossos ossos são sustentados por uma combinação de músculos e tendões. Tendões conectam os músculos aos ossos. Uma distensão é o resultado de uma lesão tanto no músculo como no tendão. A distensão pode ser uma simples “esticada a mais” nessas estruturas, ou um rompimento completo (ou parcial) na combinação músculo-tendão, neste caso, da panturrilha (ou também, tríceps sural). Ela ocorre por causa do alongamento exagerado das fibras que formam os músculos, acompanhado da ruptura de algumas delas. É mais comum nos músculos da perna – especialmente na parte interna da coxa e na panturrilha. O alongamento exagerado é causado quando o músculo é exigido e alongado além de sua capacidade, geralmente como conseqüência de movimentos bruscos.
CLASSIFICAÇÃO
- A distensão muscular é classificada desde o primeiro grau, no qual há pouco dano ao músculo e nenhuma restrição à extensão do movimento;

- Ao segundo grau com maiores danos e inchaço; até o terceiro grau no qual há a ruptura completa do grupo muscular e limitação severa de movimentos. Geralmente, quanto mais dói, maior é a área do tecido muscular distendida.
- O terceiro grau de distensão geralmente precisa ser tratado por um especialista, para ajudá-lo a superar a dor e o perigo de um dano duradouro se não houver a reabilitação apropriada e com paciência.
ETIOLOGIA
Pode ocorrer durante alguma atividade física, que exija imenso esforço de flexão plantar dos tornozelos e pés. Pode acontecer durante a corrida, o salto ou uma arrancada.
SINTOMATOLOGIA
À ocasião, o paciente apresentará dor imediata, na parte de trás da perna. Às vezes, é possível sentir ou escutar um estalo e o paciente relata “sensação de pedrada” na parte de trás da perna. O paciente sentirá dificuldades em ficar nas pontas dos pés. A panturrilha pode ficar edemaciada e com hematomas.
TRATAMENTO
Quando acontece uma distensão, o repouso do músculo afetado deve ser o procedimento número um. Continuar a movimentá-lo pode agravar a lesão e aumentar a dor. “É preciso colocar gelo no local o mais rápido possível, para diminuir a dor, a inflamação e o sangramento interno”. O tratamento com gelo deve ser repetido durante os primeiros dias.
O tratamento poderá incluir:
• Compressas de gelo na musculatura por 30 minutos, sendo que cada 8 minutos de gelo deve ser seguido de uma pausa de 3 minutos. Pode ser feito a cada 3 ou 4 horas, por 2
ou 3 dias ou até que a dor desapareça,
• Elevação da perna colocando um travesseiro sob ela.
• Uma faixa elástica envolta na perna, para comprimir, evitando que o edema piore,
sempre vigiar a circulação dos pés e dedos. Em caso de piora da dor, ou qualquer prejuízo
da circulação, retirar a faixa,
• Muletas no caso de dificuladade para andar.
• Anti-inflamatórios de acordo com prescrição do médico.
• Fisioterapia, para tratar o tecido do músculo.
Enquanto a lesão não estiver, totalmente, recuperada, o esporte ou a atividade, realizada anteriormente à lesão, deverá mudar para que não haja agravamento da condição. Por exemplo: Nadar ao invés de correr.
Medicamentos como gel e pomadas para contusões não costumam ser eficazes nesses casos, uma vez que não conseguem penetrar até as fibras do músculo.
A movimentação do músculo, sempre com a supervisão de um profissional, é importante na recuperação, que leva de três a quatro semanas.
PROFILAXIA
Para prevenir a distensão muscular e outros tipos de lesão, a principal recomendação é fazer um aquecimento e, principalmente, alongamento antes do início da atividade física. “O alongamento aumenta a capacidade de elasticidade dos músculos, o que melhora a resistência deles contra as lesões”, O cansaço muscular, a falta de preparo e a má alimentação também contribuem para o enfraquecimento das fibras.
Costuma-se orientar os atletas a seguir a seguinte proporção:
- 5% do tempo total de treino em alongamento;
- 10%, no aquecimento;
- 70%, no treino propriamente dito;
- 10%, no desaquecimento,e
- 5% no alongamento final.
Comer bem também serve para prevenir lesões musculares. Alimentos ricos em ferro (espinafre e feijão) e proteínas (leite e ovos) ajudam a aumentar a elasticidade e a capacidade muscular. O excesso de treinamento conhecido como overtraining, atinge o organismo por inteiro, com repercussões negativas em vários sistemas do corpo. A sobrecarga de exercícios físicos contribui para a perda da resistência dos músculos e facilita o aparecimento de lesões. Além da falta de alongamento, a falta de colágeno – uma proteína que permite a elasticidade dos tecidos – também é responsável pelas distensões musculares. Com o envelhecimento, a substância é produzida em menor quantidade pelo organismo.
RETORNO ÀS ATIVIDADES
O objetivo da reabilitação é que o retorno ao esporte ou à atividade aconteça o mais rápido e seguramente possível. Se o retorno for precoce, existe a possibilidade de piora da lesão, que poderia levar a um dano permanente.
Como cada indivíduo é diferente do outro, a velocidade de recuperação também é. Por isso, o retorno ao esporte será determinado pela recuperação dos músculos da panturrilha, não existindo um protocolo ou um tempo exato para que isto aconteça. Geralmente, quanto mais rápido o médico for consultado após a lesão, mais rápida será a recuperação.
- Possuir total alcance de movimento da perna lesionada, em comparação a não lesionada.
- Possuir total força da perna lesionada em comparação a não lesionada.
- Correr em linha reta, sem sentir dor ou mancar.
- Correr em linha reta, a toda velocidade sem mancar.
- Fazer viradas bruscas a 45º, inicialmente a meia velocidade e, posteriormente, a toda velocidade.
- Correr, desenhando no chão um 8 de 18 metros, inicialmente a meia velocidade e, Posteriormente, a toda velocidade.
- Fazer viradas bruscas a 90º, inicialmente a meia velocidade e, posteriormente a toda velocidade.
- Correr, desenhando no chão um 8 de 9 metros, inicialmente a meia velocidade e, posteriormente, a toda velocidade.
- Pular com ambas as pernas e somente com o lado lesionado sem sentir dor.
RECUPERAÇÃO
Em média, de uma a duas semanas com repouso, gelo, compressão e elevação. Esse tratamento deve ser seguido de exercícios simples para diminuir a dor e restaurar a mobilidade. No caso de um rompimento sério, pode ser necessário que se repare cirurgicamente por um cirurgião ortopedista, necessitando de um prazo de 8 a 12 semanas.
FONTES