Para uma amiga

E por nos parecermos, mesmo sendo muito diferentes, andamos juntas, quase sempre falando muito mesmo, uma interrompe a outra, ou até, interrompendo a nós mesmas para abrir um parêntese, por vezes, até esquecendo o assunto principal.
Não sou tão sensível quanto ela, ela é intensa, fala bonito. Eu sou prática, espontânea, falo atropeladamente. Ela é culta, quase antissocial (diz ser). Eu sou cosmopolita, leio muito, mas nada tão cultural assim.
Ambas escrevemos. Talvez porque lemos muito. Talvez porque falamos muito e quando não temos ninguém para falar, resta-nos escrever. Ou apenas, porque gostamos e isso não dá para explicar.
Acreditamos que foi nossa energia que nos atraiu. E hoje, conseguimos nos comunicar através do olhar. Perceber sem falar. Agir, sem pensar se vai agradar ou não. Porque eu a aceito (mesmo sendo tão contrária, tão diferente, tão não-Jazz). E ela me aceita (mesmo eu sendo tão não-ela, tão maquiada, tão tão eu).
E a gente se olha e conversa, assim, sem palavras, em um segundo de silêncio. E quando penso em convidá-la para sair, ela me chama. E quando falo algo, ela já tinha pensado em falar.
Telepatia? Que seja. Eu prefiro chamar de amizade.




