Piriri

Dias com gosto amargo na boca.

Estou começando a achar que esse meu piriri tem um fundo emocional. Porque (agora, que diabos, eu sempre me lembro dele quando falo a palavra ‘porque’) ele melhora depois de muito choro, daqueles de soluçar. Então, quando tenho que trabalhar, viver a vida, ele volta para me fazer parar. E eu choro de novo e melhora.

Enfim, já emagreci um quilo e meio nessa onda de piriri e anorexia. E não me fale e chocolate e guloseimas que dá enjôo. Mal consigo comer uma banana inteira. Tudo o que eu consegui ontem foi uma baguete com manteiga. Só que depois eu passei mal com tudo aquilo no estômago.

Hoje não fui à residência. Ontem passei mal lá e não quis pagar mico novamente. Estou tentando me poupar. Sinto tontura. Deve ser a hipoglicemia. Não estou indo à academia com medo de desmaiar por lá. Estou me poupando.

Decidi ir ao hemocentro. Lá as pessoas são boas, o trabalho não é cansativo e é muito prazeroso. Fora que dá tempo de atender aos telefonemas dos meus amores queridos da fofolândia. Sem eles, não sei o que seria.

“Amiga, vais emagrecer!”. “Dias de merda foi ótimo”. Coisas assim. Eles me fazem sorrir mesmo com esse mau humor do cão que me assola.

Ainda tem a minha mãe, que me mima mais ainda quando estou doente. Ela vai ver se estou dormindo bem, faz as comidinhas que eu peço, e briga sempre comigo porque acha que eu fico doente porque eu não me cuido. 🙂

Decidi que vou amadrinhar o bisneto do porteiro do hemocentro. Não de batizar, essas coisas. Decidi que vou sempre ajudar como puder. Nem quero conhecer o pirralhinho para não me apegar e me sentir na obrigação de custear o que for, até porque eu não sou rica. Mas gostei da experiência de dar um mimo de agradecimento. O seu João ficou tão feliz…

Estou sensível, porém com novas esperanças. Acho que tudo de velho valeu a pena, nem que tenha sido para aprender DE NOVO a ouvir o que eu tenho razão de evitar. Se vai embora, melhor não se envolver. Se vai ficar traumatizado, melhor afastar-se. Seria tão bom se me ouvissem… mas preferem arriscar. E tudo de novo acontece. Ninguém pode dizer que eu não avisei antes.

Foi uma semana boa, não posso negar. Nunca mais, desde 2003, eu tinha vivido algo parecido. Uma pena que tenha sido tão rápido e trágico. No meu caso, desde 2003, sempre é.

Não vejo a hora de terminar a residência, voltar para a terapia, a academia, ao cinema com os amigos… MAL POSSO CONTAR OS SEGUNDOS!

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