O que a gente quer?

É bem verdade que quem está do lado (perto, no escritório, na faculdade, no barzinho, no apartamento ao lado), não nos percebe, já que à primeira vista, somos manequins ambulantes que sorriem, choram, reclamam. O que está dentro, ninguém vê.

E odos sabemos que aquele manequim tem uma história, um sentimento, um mundo a ser descoberto. Tem virtudes, defeitos, sorrisos encantadores e maldade no coração. TODOS têm. Tudo vai depender para onde você olha. Sim, tem gente que só olha para fora, para o corpo, os bens (materiais, cultura, a educação, tudo adquirido, sem tanto valor assim). Nós mesmos não temos paciência para enxergar além ou o que o Principezinho chamava de “essencial invisível aos olhos“.

Na vida, expomos o que queremos. Com as devidas máscaras que nos protegem, afinal, “aquilo tudo que é profundo ama a máscara. As coisas mais profundas têm mesmo um ódio à imagem e ao símbolo”¹, e todos somos profundos, meu caro. E lá nesse fundo, todos queremos o mesmo.

A gente quer olhares invasores do nosso mundo. Queremos ser descobertos, mesmo que nos escondamos. Por nossas atitudes; por nossas artes: escrita, dança, canto; por nossas idéias; pelos nossos sentimentos. De qualquer modo, estamos expondo aquilo que está na gente. Aqui dentro, o tal essencial que é tão difícil da gente enxergar.

Queremos respeito, alguém pra compartilhar, queremos simplicidade, paz, vida leve.

E nada mais decepcionante quanto aquela pessoa que admiramos por sua arte (a forma mais verdadeira de exibir o essencial e também a mais difícil de ser desvendada), por algum motivo escondido – e tão bem escondido que nem ela se dá conta – mostra-se rude, indelicado, zombando daquilo que você gosta e sem o mínimo respeito, afinal, ela não te conhece e trata-te como mais um invasor de terras, que é o que todos somos quando pretendemos adentrar ao mundo do outro. Quando isso acontece, geralmente peço desculpas.

Desculpas porque ser “desbravadora de mundos” pode ser muito inconveniente para quem não quer admitir que quer ser descoberto. E eu definitivamente, não desisto fácil.

O importante é desbravá-los!

¹ Citação de Nietzsche em “Para Além do Bem e do Mal”.
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2 pensamentos sobre “O que a gente quer?

  1. Gostei desse seu post!

    Poucas pessoas mesmo não querem “descobrir” as outras… só olham para as embalagens! A embalagem é o que importa! E muitas vezes nós entramos nesta onda não porque queremos, mas por causa do meio em que vivemos (nesse mundo pós-moderno egoísta). Acho que devemos criar os nossos próprios valores e sermos fiéis a eles!

    Beijos!

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