Estar ou não estar ‘só’, eis a questão

Pequenas Epifanias, Caio Fernando Abreu“… paixão deve ser coisa discreta,
calada, centrada.
Se você começa a espalhar por sete ventos,
crau, dá errado.
Isso porque ao contar
a gente tem a tendência,
digamos, “embonitar” a coisa,
e portanto distanciar-se dela,
apaixonando-se mais pelo
supor-se apaixonado
do que pelo objeto da paixão
propriamente dito.
Sei que é complicado,
mas contar falsifica – é isso que quero dizer
– e pensando mais longe, por isso mesmo,
literatura é sempre fraude.
Quanto mais não-dita, melhor a paixão.”
(Caio Fernando Abreu, A cidade dos entretons,
do livro Pequenas Epifanias)

Um domingo chuvoso, um dia de prova. Há dois dias terminei de ler o livro que o querido e sumido Pistache me deu no meu último aniversário – o Pequenas Epifanias, do Caio F.

Ou seja, enquanto era para eu estudar, inebriada estava eu com aquela arte dulcíssima do gaúcho doente e jardineiro. Arte-que-faz-carinho, como cafuné, de tão gostoso que é…

Mudando de assunto, a situação de uma amiga – dando ultimatos – fez-me pensar novamente o quanto é bom estar solteira. No meu caso, parece que – definitivamente.

Eu entendo porque já passei por isso… Namorando, porém, infeliz no amor, reclamando muito do namorado para todo o mundo – até incomodando as pessoas… mas sem coragem de terminar. Pelo mal eterno que é o medo de voltar a ser solteiro.

Eu estou sem namorar há um ano e quatro meses. Devo estar com o medo contrário – o de ter alguém e não saber/querer me desvencilhar. Bah, assumamos… é difícil pacas terminar. Talvez, por isso, meus relacionamentos não durem mais do que cinco meses desde 2003 – quando terminei um namoro de quase dois anos. Só Deus sabe o quanto eu chorei. Até comercial de margarina me fazia chorar – só que depois disso, fiquei imune ao sofrimento prolongado dos términos de namoro. Dois dias de luto e dias seguintes de luta. quando a gente finge – muito bem – que está bem, a gente acaba acreditando, no final.

Pode ser até fácil terminar. Agüentar o depois é que não é divertido. Até porque, quando se está namorando, parecemos ter uma única companhia e a companhia dos amigos não é tão divertida quanto no tempo em que estávamos acostumados a ser solteiros. Por isso, afastamo-nos… e é mais um trabalho no pós-término: recuperar os amigos antes deixados de lado…

Só de pensar já me cansa.

Sabe… quando começo um relacionamento… eu assumo uma cautela até perigosa (paradoxo). Quero saber de tudo sobre a pessoa, passado, presente, futuro… um deslize e pá! Adiós, muchacho!

Bah! É mais simples… e eu estou feliz solteira, mesmo querendo não estar. Quero namorar, sim, mas com alguém que valha a pena, que eu não reclame dele, que a gente não brigue e que ele não minta para mim. Parece básico, mas hoje em dia, está é muito difícil arrumar alguém assim – desde 2003 – eu que o diga!

Publicado em dois de março no antigo Poucas Palavras.

Advertisements

5 pensamentos sobre “Estar ou não estar ‘só’, eis a questão

  1. Eu aprendi a ser feliz solteira. Sofri pelo Dan, principalmente por saudade… sentia muuuuita saudade… Mas nunca precisei ter alguém. Eu queria estar com ele pq o amava, mas não queria estar com ele pq nao sei estar so.

    Agora, solteira de novo, estou muito bem, obrigada! 🙂

    Fora a alegria de poder dar umas paqueradinhas aqui, outras ali…

    hahaha

    beijocas

  2. Pingback: Porque as relações acabam? « Poucas Palavras

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s