Re(vira)voltas

Uma coisa que aprendi às duras penas: não se traçar o futuro com as próprias mãos. Quando estamos montando o nosso leguinho, o nosso quebra-cabeças, fazendo tudo certinho, com uma concentração inexplicável com hiperfoco e tudo, e uma paciência que até Jó sentiria inveja… lá vem! A tempestade, os furacões ou simplesmente, seu cachorro faminto engolindo peças – e vomitando outras totalmente diferentes daquelas que você havia guardado para usar por último.

É assim.

Eu que sempre defini o que queria e lutei até conseguir, às vezes vejo-me obrigada a mudar de planos ou adequá-los a uma nova realidade.

Nada do que falamos é definitivo. Não existe uma única verdade absoluta. Estamos à mercê do destino. Aquilo que defendemos agora, pode ser inadequado para uma situação extrema adiante, e iremos agir de um modo supreendentemente diferente de tudo o que antes pensávamos. Não somos nós que guiamos… apenas temos que fazer a nossa parte de não nos embriagarmos durante a ida, e prestarmos atenção nas placas. No entanto, pode chover e você não enxergará ao certo o que estava ali escrito… e seguirá um caminho que só Deus sabe onde irá parar.

Quando estamos tranquilos, pode um telefone tocar. Uma voz chorando mexer com as suas estribeiras e mudar o destino de uma noite tranquila de um dia cheio de emoções boas.

Minha vida poderia ser uma comédia rasgada, do tipo pastelão. Mas às vezes até que é um filme digno de Oscar, surpreendente, com mortes, renascimentos, tempestades, furacões, provocações e um final alucinante.

O ruim é que eu, como uma boa planejadora, não queria que o público, às vezes, tomasse-me a caneta e mexesse no meu roteiro!

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4 pensamentos sobre “Re(vira)voltas

  1. Olá, querida!

    Posso entender muito bem o que sentes. Também gosto muito de ter tudo sob controle, mas daí vem o mundo e nada sai exatamente do jeito que planejamos.

    Por isso, deixei de querer segurar firme na pedra e soltei-me com a correnteza. Vou descobrir aonde posso ir assim, aceitando o que vier 😉

    Lindo texto, super bem escrito e inspirador.

    Beijo grande!

  2. E quando a gente se sente um saco de batatas dentro de um caminhão baú (esses de mudança, fechado) correndo numa estrada de terra? A gente fica sendo jogado de um lado pro outro sem ter a mínima noção do que está acontecendo.

    Hoje não estou assim. Mas já me senti desse jeito… Um saco de batata.

    PS: Hoje estou mais pra um saco de batata na margem da rodovia… Oh! Tédio…

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