Médicos Medíocres

Não falo dos recém-formados. Nem dos clínicos gerais. Muito menos dos generalistas.

Cito aqui aquele tipo de médico bitolado. Que não vai além de sua mera especialidade. Que ao entrar para a residência em cirurgia, por exemplo, esquece a clínica. A hipertensão que seu paciente pode ter, e pode dificultar todo o seu procedimento. Ou a dificuldade que um diabético vai ter na cicatrização. E que por ter uma especialidade, acaba se achando superior e esquecendo de exercer o básico da medicina que é, simplesmente o CUIDAR.

Antes de sermos especialistas, somos médicos!

Meus amigos sabem disso. Pessoas com micose no dedo, hérnia discal, refluxo gastroesofágico e até doença celíaca podem contar comigo. Eles sabem disso. Antes de ser pediatra, eu me formei MÉDICA.

Hoje, fui ver uma parente que está internada e pedir informações para a médica de plantão. A primeira coisa que ela falou foi.

– Você é pediatra, não? Bem, nós sabemos que o prognóstico é sombrio…

Entedi como um “você não entende nada sobre adultos e não há nada que possamos fazer para salvá-la“.

Com termos técnicos, citei toda a história dela, com detalhes minuciosos de exame clínico e pedi – quase que suplicando – que ela não sofresse. Só isso.

Pedi que ela lembrasse das aulas que tivemos na faculdade. Ser médico não é ser um salva-vidas, não é prolongar a vida de um paciente que sofre constantemente e sim, dar-lhe uma qualidade de vida até que ela termine. É isso. Amenizar o sofrimento do paciente e da família. Dar dignidade a uma pessoa que depende de você para respirar melhor, não sentir dor, etc.

Mas como toda médica medíocre diante de um médico qualquer, ela estava lá para se defender, e não para exercer a medicina como ela deve ser feita.

A pena que sinto é que, a cada dia que passa, eu me convenço de que sou uma das poucas que ainda não mudou. Não sou “bam-bam-bam” na clínica e nem na pediatria. O que me diferencia, pode não ser a técnica, mas a qualidade de atendimento que eu faço questão de dispensar sobre o paciente. Ouvindo-o, compreendendo-o e utilizando de certo grau de empatia para fazer a coisa certa.

E sabe que a coisa certa nem sempre está no remédio? Na maioria das vezes está naquilo que você vai dizer para o paciente. Não é preciso saber tudo, mas é necessário interesse suficiente para ter a humildade de chegar em casa e procurar no livro, novamente, tudo sobre aquela doença que está ali na sua frente para você tratar.

Médicos, – uma pena que são minoria os leitores da blogosfera – vocês são meros empregados do seu paciente. Não é porque vocês sabem mais do que ele (sobre medicina) que isso faz  de vocês, pessoas melhores. Desçam do salto e trabalhem direito!

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3 pensamentos sobre “Médicos Medíocres

  1. Minha irmã é médica pediatra também e uma das coisas que ela defende é a humanização do trabalho. Cuidados básicos como se referir ao paciente pelo nome e não como o “paciente do leito três”, ou ainda pior, o “leito 3”, como se ele fosse um objeto inanimado.

    Sugiro a leitura de “Sem Anestesia”, livro que conta a história verídica de um médico que se viu na pele de paciente e sofreu sendo tratado por “leito x” e tendo informações negadas pelos colegas de profissão.

    Adoro seu blog (mas acho que você já sabia disso).
    Beijos

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