A Classe Médica Fede

Falo aqui da classe médica, daqueles que desfilam de jaleco pelas ruas – coisa anti-higiênica repugnante – ou os que teimam em contrar piadas de pacientes em alto e bom som num happy hour, para que todos possam ouvir.

Tenho amigos médicos ótimos. Aqueles que se lembram de serem humanos, antes de serem médicos. Aqueles que, ao invés de se gabarem aos quatro ventos como SUPERneurocirurgiões-bam-bam-bam’s (sim, eu já vi isso num receituário médico!!!), apenas apresentam-se como “médicos”, que gostam de rock, falam francês e entram no msn para conversar.

Não falo aqui dos médicos, tampouco dos meus amigos médicos. Falo da classe médica. Aqueles que só andam de branco, cheirosíssimos como se nunca tivesse reanimado alguém (porque para reanimar, a gente tem que ficar pulando com os braços esticados sobre o peito de um quase-morto, e é impossível o cabelo não desgrenhar e você não sair suado dali).

Ontem foi dia de votação no CRM. Cheguei já atrasada depois de ter atendido um paciente esquizofrênico de nove anos que tentou destruir meu consultório. Depois de duas horas em um micro-ônibus, com o sol matador de Belém em julho, morta de fome tamanhas quase duas da tarde… suada, acabada e mau-humorada.

Entro na fila para a votação e um cara todo engomadinho, senhor de quarenta e poucos anos (longe de ser um idoso e muito menos UMA GRÁVIDA) passou na minha frente na fila. Com honras feitas pelo recepcionista do Conselho.

– Quem é ele? – perguntei para o recepcionista;

– Eu não sei.

– E por que ele passou na minha frente?

– Não sei, porque mandaram. Nã esquente sua cabeça…

Não, não, não dava para esquentar ais do que já estava. Eu ali passando mal, com fome, suada, cansada, com uma mochila de cinco quilos nas costas, debaixo de um sol a tino, não, não dava para esquentar ainda mais a minha cabeça.

A classe médica fede. E, todo ano, quando eu compareço ao conselho, eu tenho VERGONHA de ser da classe médica. E eu me orgulho SIM quando alguém diz “não acredito que ela seja médica”.

É por isso que a grande maioria dos meus amigos é amante da informática, da publicidade, da arte e do jornalismo. E eu definitivamente não faço questão de participar dos almoços pomposos de “Dia dos Médicos” ou dos eventos patrocinados por laboratórios (aliás, às vezes vou sim, porque a boca livre é boa). Mas eu prefiro os shows de rock, onde me descabelo e onde meus amigos vão estar.

Se precisar de um médico, pesquise! Não aceite qualquer um!! De médico que não presta o mundo está cheio.

9 pensamentos sobre “A Classe Médica Fede

  1. Eu tenho um primo q é bambambam da área de cirurgia gastro, não sei nem se é assim q se chama. Ele é diretor do PS… E a esposa dele não é cirurgiã, ela é clínica, ela é da área do coração (esqueci todos os nomes agora). Mas os dois são suuuuuuper “humanos”, eu adoro os 2. Meu primo é bem pé no chão. Como pessoa ele é ótimo, parece q como médico ele é meio seco, mas pelo menos eles não “se acham”.

    Pra ser sincera, tirando meus primos, vc e um ou 2 ou 3 amigos médicos, eu tenho pavor de hospital, consulta e etc pq detesto lidar com a “classe médica” como vc diz. Em compensação, qdo a gente encontra um médico ou uma médica boa, não largamos nunca mais.
    🙂

  2. Medico que leva o simbolo da medicina com se fosse uma velha piada.
    – Se o paciente vive e tá curado: COBRA
    – Se morre e é enterrado: COBRA

  3. Infelizmente me parece que esse tipo de gente tem em todas as classes profissionais… sempre tem aquele q se acha o melhor, acima até mesmo da humanidade em geral – e coitados dos pobres mortais que ousarem questionar a supremacia dos “bonitões”…

    Dá nojo mesmo!!! Até pq, estudar mais ou menos não te faz melhor ou superior a ninguém. Já conheci mta gente fantástica que tinha mto menos estudo do q esse tipo, e, como vc mesma demonstrou no post, a pobreza de caráter as vezes permanece mesmo com tanto estudo…

    Triste!
    Bjos

  4. Eu acho q esse texto foi mto preconceituoso, mesmo partindo de alguem q aparentemente pertence a classe. Não é porque existe pessoas ruins num determinado grupo que todo o grupo tem q ser ruim.
    E se alguns se dão bem é porque varios se dao mal.. trouxa de quem fica se matando pra ganhar merrecas, quero mais eh ganhar grana, pegar muie e ficar forte

    Este é o retrato do que comentei no texto, caros leitores… alguém que se refere às mulheres, digitando um “muié” e dizendo que quer “ganhar grana” e ficar forte (já imagino aqui as bombas que não deve tomar).

    A classe médica se limita a ser só isso. Não fui preconceituosa porque PRE-CONCEITO é algo pré-concebido e essas definições eu só tive depois de muitos anos dentro da medicina (e a cada dia que passa é mais vergonhoso pertencer à classe). Citei acima, em negrito alguns nomes que são exceções, e com certeza,deve haver muito mais.

    Infelizmente, para ser BOM na área médica, é preciso ralar (só quem fez residência tem idéia disso). E mais infelizmente ainda, NÃO É PRECISO SER BOM para ganhar dinheiro. É só fingir que trabalha em algum interiorzão sem qualquer infra-estrutura e voltar milionário.

    Tenho dito

  5. Santes prova que não são santos. O trocadilho é péssimo, mas de tão pronto, não pude evitar.

    O que vejo é que muitas pessoas não escolhem seus cursos por vocação, mas por ambição (aqui entendida no sentido negativo, ganância). Não têm nenhum compromisso com o paciente e sua saúde, vêem os doentes como meros passatempos (algo a fazer, tarefa) enquanto o dia (o plantão) não acaba, contando horas pra sair do hospital e contando os dias até o pagamento.

    Estes médicos tratam as pessoas como peças de uma linha de montagem, à la Tempos Modernos de Chaplin.

    Também há destes na advocacia e no meio de servidores públicos. Muitos assim na política.

    Infelizmente!

    Mas Mauro Almeida, Márcia Anaice, Allan Marques, Laudreísa Pantoja e – save the best for lastJazz honram o jaleco.

    PS: Abordado en passant, a questão do jaleco (e estetoscópio pendurado no pescoço) símbolo de status é tratada em http://www.baluzao.com/2009/07/jaleco-branco-para-que.html e da prática anti-higiênica de andar com ele na rua em http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL697796-15605,00.html e também em http://www.mauavirtual.com.br/noticias_det.asp?s=Jaleco_de_medico_e_celeiro_de_bacterias&id=3467

    Beijos

  6. Eu vou abrir parenteses aqui pq não quero abrir o orkut!

    Eu recebi sua sms!!!!!!!!!!!!!!! Fiquei tão feliz q vc gostou, pq eu só quis demonstrar o qto vc é especial pra mim, mesmo eu sendo super distante!!

    Não consigo responder a mensagem, tá dando erro no meu cel, às vezes eu fico sem sinal aqui em casa, vai entender!

    Anyway, you’re a sweetheart!

    beijo beijo

  7. Muito bom o seu texto, na verdade o mundo precisa de pessoas reais e não das que se acham melhor que as outras. Você é uma pessoa real (mesmo aqui nesse cyberespaço…rs). Continue assim, pois irá conseguir muitos admiradores (como eu).
    MInha doutora preferida!
    Abraços,

  8. Vamos fazer um acordo. Você me empresta o texto, mudo o termo “médico” por “advogados”, mudo nomes e especialidades e, pronto. Os advogados fedem!

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