Minha Tribo Sou Eu

Já diz o ditado: “quem se define se limita”.

Por vezes, acabamos caindo num erro comum que é o de julgar uma pessoa por um ato. Você vê alguém roubando, é ladrão. Não importa o contexto. Não se quer saber se o cara é honesto, se foi roubado anteriormente, se estava ali roubando comida para o seu filho doente. É ladrão.

O namorado da sua amiga terminou com ela do nada. Você ouve a versão da amiga e tacha o guri de safado para baixo. Nem sabe se ela estava enchendo o saco dele por tudo. Nem sabe se ela o traiu. Não sabe nem de metade da história: o cara é safado.

Você se envolveu. Lance do tipo “Antes do Amanhecer“. Ele era o viajante e você se apaixonou. Enlouqueceu, deu uma de Heloísa e foi tachada de nada além daquela que se envolve mais que Cinderella em paixões que deveriam ser mais rápidas do que tufões. E ele levou consigo aquela imagem. Ela não era mais a garotinha engraçada que o havia conquistado. Era apenas e tão somente, a intempestiva impulsiva menininha mimada que fala o que quer, sem medir consequências.

Temos atitudes loucas – não é por isso que somos loucos. Temos atitudes paradoxais, nem por isso somos um paradoxo – às vezes, só um pouco confusos. Temos atitudes boas, atitudes más, atitudes que ninguém entende e nem por isso estamos limitados a ser aquilo para sempre.

Até porque, é pouca coisa que SOMOS.

Eu estou magra, mas já fui gordinha. Michael Jackson nasceu negro, morreu branco. Uma de minhas amigas de infância já me foi insuportável e agora eu a amo como se fosse uma irmã. Roberta Close já foi homem, agora é mulher.

Pior do que os que rotulam a gente, são as pessoas que se autorrotulam e com isso, limitam-se.

Outro dia fomos jantar com alguns amigos, e a namorada de um deles era  a “estudante de medicina”. Não havia um parágrafo inteiro dito pela menina, que ela não citasse o internato, o quanto era difícil ela comer no horário, o tanto que o amigo gay dela de faculdade era legal (como se só ela tivesse um amigo homossexual na mesa), o quanto ela deixava de dormir para estudar e como ela era esforçada.

Talvez os rótulos sejam cômodos para algumas pessoas, uma vez que proporciona a sensação agradável de segurança, num determinado estilo pelo qual se identificam.

Mas eu prefiro ser a minha tribo. Ou dançar conforme a música, como preferir. Assim como gosto de Algodoal, do depreendimento, da simplicidade, do pé no chão; eu adoro Salinas, a badalação, o encontro com os amigos, o desfile de moda ao céu aberto – é muita gente bonita junta!

Assim como eu me divirto com meus amigos em um show de rock, tirando fotos enlouquecidamente, pulando e gritando jogada e suada, saindo descabelada do lugar; eu topo também uma baladinha pop rock, com gente muito bem arrumada, entornando bebidas caras e exalando perfumes franceses e maquiagens importadas desenhando seus rostos.

E não é porque eu tenho bolsas de pano baratíssimas da Praça da República que eu não vou babar nas vitrines de bolsas de couro legítimas. Não é porque eu uso All Star, às vezes, que eu não vou usar um Nike para malhar.

Então… não é porque sou uma pessoa de bom gosto que não posso provar coisas toscas às vezes. E nem por isso eu vou deixar de ser requintada 😉 E não é porque estou vivendo uma fase de curtir a solteirice, que eu queira viver assim para sempre.

Até porque eu sou pra casar!
(mas não agora!)

MINHA TRIBO SOU EU

eu não sou cristão
eu não sou ateu
não sou japa não sou chicano
não sou europeu
eu não sou negão
eu não sou judeu
não sou do samba nem sou do rock
minha tribo sou eu

eu não sou playboy
eu não sou plebeu
não sou hippie hype skinhead
nazi fariseu
a terra se move
falou galileu
não sou maluco nem sou careta
minha tribo sou eu

ai ai ai ai ai
ié ié ié ié ié
pobre de quem não é cacique
nem nunca vai ser pajé

ZECA BALEIRO

5 pensamentos sobre “Minha Tribo Sou Eu

  1. Bravo!!!
    Aiiiiii adorei esse post!!!
    É isso aí, Jazz…

    Como nas palavras de Fernando Pessoa: “Ser é admirar-se de estar sendo.” E nada mais importa.

    Nada mais!

  2. Primeiramente parabéns pelo blog! Você levou a sério o conceito de “poucaspalavras” e conseguiu, ainda que em um número superior aos famigerados 140 caracteres, expor bem suas idéias.

    Destaques para: “O namorado da sua amiga terminou com ela do nada. Você ouve a versão da amiga e tacha o guri de safado para baixo.”

    É fácil julgar alguém com base numa visão parcial, afinal, isso nos isenta de um aprofundamento na questão. E, como já foi dito…

    “Pessoas que compreendem algo em toda a sua profundeza raramente lhe permanecem fiéis para sempre. Elas justamente lavaram luz à profundeza: então há muita coisa ruim para ver”.
    – Friedrich Nietzsche


    http://letras.terra.com.br/ana-carolina/1523644/

    Creio que eu também faça parte do grupo dos sem tribo, em todas as tribos. E viva essa metamorfose ambulante!

    http://ologicoeoirracional.wordpress.com/2009/08/01/acaso/ =]

  3. Pingback: O Ecletismo Incompreendido « Poucas Palavras

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