Para ser Realmente Bonita

Hoje eu acordei com vontade de ser bonita. Linda. Daquelas de parar o trânsito, de chegar em um lugar e chamar atenção de TODOS os carinhas do lugar (aqui ninguém percebe a minha existência, mas isso já me aconteceu num restaurante em São Paulo – lá eu faço sucesso – #mallocalizadamodeon).

Com certeza, todo mundo aqui sabe que eu usei aparelho durante dois anos, e de um ano pra cá emagreci uns oito quilos. Já engordei dois, mas mantive esse peso desde então – que sempre foi o meu peso normal, desde comecei a malhar. Acontece que no meu trabalho onde o lanche é gratuito, e quando eu trabalhava 12 horas por dias e mais 24 horas no fnal de semana (carga horária máxima permitida por lei) eu comia muita besteira nos plantões.

Carência + trabalho excessivo + carga psicológica pesada vendo crianças graves morrendo na sua frente = lanches bem engordativos.

No meu ensino médio, eu até que era popular, principalmente nas épocas de provas. Eu sentava bem no meio da sala, a galera interesseira (os gatíssimos, as populares drogadas e as minhas amigas do peito) fazia um paredão à minha volta e acabávamos fazendo uma prova coletiva. Eu e minhas amigas sempre tirávamos as mesmas notas e eu acabava salvando os gatíssimos e as drogadas da recuperação.

Eu era engajada no time de vôlei, até porque era apaixonada platonicamente pelo capitão do time (sim, era um time misto), e treinava em casa jogando a bola na parede para aperfeiçoar os reflexos. Melhorei bastante! E houve um dia em que recebi uma bola, e o idiota do meu time passou a bola pra mim, enquanto eu ainda me levantava do chão. Consegui passar a bola e um cara da torcida gritou: “égua, eu queria jogar que nem ela!“.

Eu tinha outras qualidades, já que beleza não era o meu forte. Baixinha, gordinha, com cabelo rebelde e dente torto. Eu era a legal, esportista e CDF.

Então, é sério que não beijei ninguém durante o ensino médio. Depois, passei em medicina e finalmente arrumei um namorado (que hoje namora uma mulher obesa que está transformando-o em um senhor barrigudo) que não se importava tanto assim para a beleza. Afinal, eu o conquistei sendo sarcástica e mostando que entendia de cultura pop e jogos de fliperama.

Só que como ele era perfeito (sim, somos amigos até hoje e ele nunca me deu motivo para falar mal dele), eu queria ser mais bonita para ele. Foi nessa época que ajeitei meu cabelo, comecei a usar aparelho e a vestir umas roupas menos corta-tesão. Antes eu só vestia jeans, tênis e camisetão.

E a transformação continuou rolando. depois que tirei o aparelho, NOSSA, minha vida mudou! Antes o sorriso era uma breve esticada de lábios, com um esforço descomunal para que os dentes não aparecessem (e olha que eu sempre tive riso solto).

Então eu concluí o seguinte: está certo que eu comecei a querer ser bonita somente para agradar um namorado (até porque, mesmo não pegando ninguém, eu era mesmo feliz sendo a nerd e esportista da escola), mas sentir-se bem é de um valor indescritível. Estar à vontade com a gente mesmo é algo que ninguém vai mudar, por mais magrela que você esteja, por mais silicone que você tenha colocado… podem dizer o que quiserem, que se a gente estiver bem, nada nos atinge.

Tenho uma amiga no hemocentro, que pesava entre 38 e 40 quilos. Ela era deprimida, achava-se feia, nao conseguia engordar porque tinha problema de gastrite e só de pensar em comer, já lhe doía o estômago. Depois que ela tratou a gastrite, continuava com medo de comer e a maldita voltar. Arrisquei um medicamento que prometia abrir o apetite e dei umas amostras para ela.

Ela começou a encher o prato. Hoje, está com 50Kg, feliz da vida com suas curvas, o peito aumentou, está gostosona mesmo. E é outra pessoa! Hoje ela sorri e está tranquila com sua vida. Parou de reclamar de tudo e nada mais lhe atinge. A gente a chama de gorda e ela se sente o máximo com isso!

Depois que engordei, eu me sentia pesada, cansada até para correr. Malhava e só aumentava de peso, estava uma tora! Até que torci o pé e tive que para de malhar para fazer fisioterapia. Se continuasse comendo, eu viraria uma bola! Então comecei a dieta. Emagreci. Perdi o barrigão que me acompanhava e atrapalhava meu bem-estar. Ok, também perdi muitas das curvas (mas a principal continua lá hehehehe)  e agora, as pessoas me chamam de magrela, tábua, etc. E eu? Ah, eu tô feliz com esse peso. Agora corro sem ter que me carregar. Não tenho mais vergonha de usar biquíni na praia – ainda não está 100% porque um resquício de barriga continua lá, mas nada que atrapalhe o meu amor-próprio.

Mulher perfeita é aquela gostosona? Nem. Mulher perfeita é aquela que se gosta. E para quê se preocupar tanto com aquela espinha no meio da testa que está inflamada só porque você tem um encontro? O que são aquelas manchinhas de sol no seu rosto, da época em que você não usava filtro solar todos os dias? Estrias, celulite, toda mulher tem em algum grau. Olheiras? Normais quando se dorme pouco (eu que o diga, que não faço questão de dormir por achar perda de tempo).

Detalhes que simplesmente não fazem a diferença se, no geral, você está bem consigo mesma.

Não digo que a gente tem que parar de se cuidar. A gente só não precisa procurar pelo em ovo e ficar buscando toda hora, uma imperfeiçãozinha para ter onde gastar o nosso dinheiro. Se ela te incomoda, SIM, MUDA! Mas se ela te acompanha e nunca atrapalhou a sua vida, para quê mexer se faz parte de você?

O importante é a gente estar bem. Porque quando a gente fica bem, não há quem consiga te deixar para baixo.

E hoje é dia de beleza! Banho demorado, esfoliação, cremes, hidratação do cabelo, unhas feitas, bobes, e algumas abdominais, já que a academia está fechada. Hoje é dia de se curtir.

Ok, não há bíceps a serem vistos, mas só a pose, já não dá uma impressão de que eu sou sarada? ;-)

Ok, não há bíceps a serem vistos, mas só a pose, já não dá uma impressão de que eu sou sarada? 😉

4 pensamentos sobre “Para ser Realmente Bonita

  1. É isso aí, Jazz! Você disse tudo! =P
    Que bom saber um pouco da sua história…
    Quem te vê assim, toda bonitona… nem imagina que você já usou aparelho e tudo mais…. rs to brincando, uma coisa não tem nada a ver com a outra, né? Nunca somos os mesmos… e graças a Deus! rs

    Hoje eu também sou bem diferente da época do colégio… eu era dark, gótica, “drogada”, totalmente excêntrica, era CDF, mas matava mt aula…rs de poucos amigos… enfim… hoje sou diferente… tem até um colorido no meu armário…auahuahahauahu

    ei, às vezes leio esse blog: http://vigilantesdaautoestima.zip.net/

    acho que vc vai gostar… 😉

    beijos!

  2. Beleza é um conceito muito subjetivo, a beleza interior é o que importa para mim, conheço tanta gente bonita, mas que por dentro pouco coisa se aproveita e gente que não segue os padrões da mídia e que são ótimas pessoas.
    Abraços,

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