Piriguetes, Santas, Monges e Outras Fases da Nossa Vida

Piriguetes são mulheres que buscam sexo. Sexo somente. Uma noite e nada mais. Não acredito que isso seja caráter. Pode ser fase, uma escolha… mas não é uma característica. Tem gente que está assim e pronto. Desapegado. Talvez desesperançoso com as relações fúteis de hoje em dia.

Muita gente, hoje tem alguém só para ter FGTS (Foda Garantida Toda Semana). As relações hoje estão difíceis de ser consolidadas. Tudo é muito rápido. Logo rola o sexo, logo você se torna o “marido” da namorada, sem ao menos conhecer a família. Então tem gente que simplesmente evita isso.

A Piriguete escolheu se divertir sem se envolver. Qual o mal nisso? A vida é dela… Ela vai se especializar num tema que todos os homens simplesmente adoram – o Sexo. Vai perder na evolução sentimental, mas quem se importa? O homem adora uma Piriguete. Sabe que vai ter todo prazer que ele mesmo merece, e sabe que ela não vai encher o saco no dia seguinte. Não vai exigir café na cama, ligações de boa noite e nem mãos dadas sob o luar. Isso é prático.

A Piriguete usa táticas de guerrilha. Perna de fora, decote, batom e unhas vermelhas, cabelo bem tratado. Nem sempre investe em cultura, mas isso também não vai influenciar no que ela realmente busca. Ela quer sexo. O homem fantasia com sexo o tempo praticamente todo, então é natural que ele a procure. E ela vai satisfazê-lo. Pelo menos por enquanto.

Digo por enquanto, porque um dia ela se apaixona. Assim como homens safados também são passíveis de se apaixonar. Quando menos quiser ou esperar – a paixão vem. E aí… a coisa complica. E agora? Ser santa?

Vamos lá… existem realmente Santas? O que é Santa? Hum… Aquela que só namora é santa? Ela não transa? Namorada perfeita, fiel, educadíssima… mas que na hora agá, fecha os olhos, abre as pernas e pede para avisar quando o cara acabar. Desculpa, gente, mas essa aí não é a Santa… é a corna.

Todos sabem que Nelson Rodrigues tinha muita razão quando pedia uma Dama na Sociedade e uma Puta na Cama. Sim, o homem quer alguém educadíssima para apresentar para a mãe, que seja lindíssima para exibir aos amigos e que seja suficientemente puta para que ele se contente e transar só com ela. Esse é o segredo.

Melhor é ser livre de rótulos. Eu já fui Santa. Namorei sério, mal sabia fazer sexo, tinha vergonha de um monte de coisas, afinal, para mim tinha coisas que só puta fazia, etc… coisas que minha mãe metera na minha cabeça durante anos, falando mal das safadeenhas nas novelas.

Depois, passei um tempão solteira. Não acho que cheguei a ser Piriguete, mas já não precisava estar apaixonada para ter envolvimento sexual com alguém. E quer saber? Ah… sexo sem envolvimento é tão sem graça!

Com o tempo a gente aprende a ser o que a ocasião pede. Ser livre é isso. Flexível para dançar a favor do vento sem quebrar. Passei um tempo solteira. Solteira e sozinha – sem medo (todo mundo merece um tempo relamente só seu, sabe? e muita gente tem medo disso, mas enfim! Resolvi encarar). Já não queria me envolver nem sexualmente e nem emocionalmente com ninguém. Tudo isso me desgastava. Então, virei Monge.

Minha fase monge durou uns três meses, iniciada em julho. Afinal, agora eu queria outra coisa. Algo diferente. Um envolvimento real. Sabe aquele negócio de dormir e acordar pensando na pessoa, ficar feliz quando ela ficar feliz, ter um encontro de almas mesmo, que nem o que tive em 2001, no meu primeiro e único namoro sério? Isso!

E para isso, é preciso ter concentração. Abrir-se. Conhecer a si mesma. Busquei dentro de mim, não o que eu precisava, mas o que eu queria naquele momento. E eu encontrei a paz. Para fugir da solidão, investi o tempo do final de semana em trabalho. Passei a olhar mais para os outros – mas, internamente., não superficialmente – e isso é difícil! Fiz novos amigos. Aproveitei para conhecer pessoas. Conhecer mesmo – almas.

E agora, depois de ser Santa, Piriguete, Monge…
Finalmente pude ser a Jazz.

*Updated on 20/10/09: Leia aqui a resposta da minha amiga Piriguete.

Advertisements

9 pensamentos sobre “Piriguetes, Santas, Monges e Outras Fases da Nossa Vida

  1. Pingback: Twitter Trackbacks for Piriguetes, Santas, Monges e Outras Fases da Nossa Vida « Poucas Palavras [poucaspalavras.wordpress.com] on Topsy.com

  2. Acho q Nelson Rodrigues adoraria as piriguetes de hoje, rsrsrs, imagina ele escrevendo sobre elas… PQP

    Ótimo texto amiga…

  3. Eu acho que o melhor de tudo foi você ter experimentado um pouquinho de cada coisa e ter visto como era cada uma, pra daí então dizer: Eu não gostei disso ou daquilo. Ter, de fato, se descoberto e o mais importante: se desligado de qualquer um dos rótulos pra ser você mesma!
    Bem legal! =)

  4. Ótimo texto! Gostaria apenas de acrescentar que na minha opinião, existem 3 tipos de relacionamento. O primeiro é quando você se dá bem com a pessoa em tudo menos no sexo, o segundo é quando você só se dá bem com aquela pessoa no sexo e nada mais. Estes não tendem a durar muito, se durarem serão por insistência e não por prazer. E, o terceiro relacionamento, é aquele que tende a durar muito, as vezes para a vida toda, em que você se dá bem com a pessoa em tudo, inclusive no sexo. Normalmente você tem que passar por vários relacionamentos como os 2 primeiros, para conseguir encontrar um que seja como o terceiro… 🙂

  5. (8) Quando ela me ve ela mexe, piri pipiri piri piri piriguete.

    Sexo sem compromisso é bom, desde q vc não encane com isso depois…mas tb não significa sair abrindo a perna pra todo mundo…isso é coisa de piriguete

    Alem do mais elas sentem tesão por outras coi$a$…sexo sem compromisso, mas com uma quimica sexual é excelente..

    claro, sempre melhor poder pedir um café para os dois no dia seguinte, tem muito mais sabor =D

    adorei

    bjinho

  6. Os outros deviam se preocupar menos com os rótulos e se preocupar mais em ser eles mesmos… Odeio rótulos, pois eles limitam e generalizam as pessoas. Quando vc é apenas um aspecto de uma definição, logo torna-se aquilo, assim mesmo, sem direito a defesa ou provar o contrário. Daí surge uma palavrinha muito ruim: preconceito.
    Vamos ser livres, amiga! E escolher o que é REALMENTE melhor para nós!
    Bjim

  7. “…todo mundo merece um tempo relamente só seu, sabe? e muita gente tem medo disso, mas enfim! Resolvi encarar.”

    Talvez eu precise disso, mas não consiga fazê-lo.

    Beijocas.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s