Joga Pedra na Geni

Leia ouvindo Geni e o Zepelim (Chico Buarque)

Analisando o caso da menina do vestido rosa, que foi humilhada em público causando um tumulto curioso em uma Universidade, onde todos começaram a humilhá-la por estar vestida inadequadamente para a sala de aula.

Hoje em dia, principalmente nas faculdades particulares, vemos, mesmo em Belém, extremos absurdos da moda, onde os corredores parecem passarelas com meninas de unhas enormes e brincos idem, com saltos-agulha – principalmente nas classes da noite, quando as meninas já vão montadas para a night.

Não sei o caráter da menina de rosa, nem sua reputação – mas imagino que não deveria ser das boas, afinal, quando assumimos certa postura, as pessoas tendem a respeitar mesmo quando estamos inadequados frente a certa ocasião.

Mesmo assim, admitindo além de roupas, as posturas inadequadas (como uma mulher mascando chiclete de boca aberta já me causa uma impressão vulgar, por exemplo) é FATO que ninguém tem o direito de julgar, condenar e humilhar uma pessoa porque suas atitudes são reprovadas por fulano e sicrano.

A gente erra, e como erra! E quem nunca errou? Que atire a primeira pedra! Todos concordam, mas eu duvido que haja um só leitor que nunca tenha participado de uma “zoação” (vamos eufemizar aqui!) pública em que o elemento “zoado” não tenha se sentido humilhado o bastante para recolher-se e ir chorar em casa.

Na minha quarta série, havia um aluno em nossa classe, que era estranho. Ele não tinha deficiência mental, mas era muito alto, tinha um rosto imenso, não esticava bem os dedos das mãos e seu nome era Luiz. Houve uma época em que era moda ficar correndo atrás dele chamando-o de Luiza, só para ver se ele alcançava a gente. Até que um dia todos nós fomos chamados na diretoria porque ele, finalmente, reclamou que isso o incomodava de verdade.

Ele era meu amigo, fiquei com vergonha, expliquei que eu pensava que ele também levava na brincadeira – como um a pira-pega e pedi desculpas (ainda bem que ele gostava de mim e me perdoou, porque somos amigos até hoje!).

E não é raro isso acontecer em pequenos grupos, como se fossem atos inofensivos… É a mesma história: se alguém cai, psicólogos tentam explicar porque rimos. Simplesmente, estamos aliviados de não estar ali naquele lugar. E quando alguém é zoado, é quase irresistível não participar. A gente se diverte com a DOR do outro.

E isso é altamente reprovável! Já disse, mas não custa repetir:

Todos somos livres para fazer o que quiser MENOS para magoar o outro.

Então, pare com a retórica do: “eu sou humilde“, “ser simples é ser incrível“, não julgo ninguém, não condeno ninguém, não tenho preconceitos… Quando você vir pessoas esclarecidas, que trabalham, que se julgam melhores apenas por não terem errado ali, naquele momento, participando de uma “zoação” que pode ser pública como a da garota da UNIBAN, mas pode ser virtual, como num CHAT (que foi o meu caso) – você vai ver que a retórica é sempre hipócrita. E que na oportunidade que tivermos de jogar pedras, iremos fazer!

Porque o ser humano tem vontades, apesar de ter consciência. Pois, apesar de inteligente, o ser humano só sabe usar a inteligência quando lhe convém.

Bilhete:
Imprescindível dizer aqui que eu tenho “fama” de encrenqueira. Só esclareço que a única diferença é que eu falo na cara. Se é para chamar de manipulador, mau caráter, mulherzinha, fofoqueira, bêbado, alcoólatra, machista: eu falo no ouvidinho. Porque até para ser encrenqueiro, é preciso ter um mínimo de elegância.

Selecione seus amigos.
Conheça as pessoas antes de julgá-las.
Entre no mundo delas.
Veja o que os olhos não deixam ver.
Porque errar com as pessoas pode e VAI fazer com que você se dê muito mal.
E a responsabilidade será toda sua.

E ninguém é o que julga ser.

10 pensamentos sobre “Joga Pedra na Geni

  1. Parabéns, é de gente como vc que esse mundo precisa. Queria te convidar p/ participar do loucurads filosóficas do Ghiraldelli, que tal/ Lá tem gente bacana que dicute muitas coisa. bjs

  2. Ai ai … o que dizer de nós seres humanos? Eu ja tirei sarro, ou zoei, ja magoei de propósito. Mas nunca, nunca fiz do nada. Sempre recebi estímulos pra isso. No meu caso e só no meu caso… é olho por olho e dente por dente. Me magoou, me humilhou ou causou dor, pagará com a mesma moeda.
    Só tem um problema, se eu deixar pra fazer isso depois de uma semana… eu esqueço…kkkkkkkk e deixo passar. Acho que para os piscianos apesar de vingativos não guardam mágoa, e com o tempo…deixam pra lá.

  3. Curioso como o seu caso da quarta série se compara com um que aconteceu em uma faculdade, de onde deveriamos ter universitários, jovens cabeças pensantes.

    Já tivemos melhores universitários.

  4. Parabéns pelo texto.

    É vc que escreve no Asttro?

    Na verdade ele subtrai os textos que ele gosta daqui e manda pra lá.
    Obrigada pela visita.

  5. Devo ser um ser anormal!!!

    Num lembro nunca de já ter “zoado” de alguém… Nem sozinho nem em grupo.

    Acho que é pq sou pxs com ascendente pxs. Ou então pq eu estava do lado do grupo dos que são zoados.

    Mas tem muita gente que eu meteria uma bala, se eu tivesse uma, e fosse na hora certa.

    Já um ‘tapa’, de mão aberta, numa face de algum cretino, eu já fiz. Ele não merecia um murro (coisa também que não sei fazer – pois se merecer um murro, é o mesmo que merecer bala). Ademais que uma mão aberta na face está, na verdade, denotando que aquela pessoa é desprezível. É como se fosse aquele ritual antigo das luvas, de “escolha as armas”, você foi intimado a lavar sua honra em um duelo.

    Bom. Acho que ia falar quase nada… Mas sou assim: Onde caberia um simples “mulheres” (um comentário que me trouxe aqui), ou um simples “Se” como a resposta dos Magistrados da Lacônia a Felipe, quando esse enviou um mensageiro com uma desaforada mensagem: “Se eu invadir a Lacônia, reduzirei Esparta a pó!”, às vezes me saio com teses, teorias discoursis

    Gostei de conhecer vc e o “Poucas Palavras”.

    Vc aceitaria criar uma comunidade dedicada ao seu blog? Em nossa rede social Brasil Poesias? Oferecemos suporte, dicas e auxílio técnico de html, css, feeds-rss e técnicas seo.

    bj.
    Lustato

    Comentário de Lustato Tenterrara, ao post Joga Pedra na Geni, no blog Poucas Palavras, da interessante menina (que toda mulher é uma) Jazz, cujo maravilhoso perfil deixaria qqr um louco de pedra, especialmente se vier acompanhado daquele excepcionalmente belo Foto-Avatar.

    PS.: Princesa, meus comentários são sempre publicados em minhas redes, sites, blogs e páginas. Acaso haja ou não interesse, favor contactar.

    Outro bj.
    Lustato

  6. E depois a Unibosta ainda expulsou a menina, justificando a atitude dos trogloditas que ameaçaram a Geisy Arruda alegando “postura inadequada”. Parece gente que justifica o estupro dizendo que a mulher provocou. Esse caso me revolta, mas me consola vez que a Geisy não se intimidou. Vai virar ícone feminista. Arrasou, Geisy!

  7. Pingback: Carnaval: um lugar para todos « Poucas Palavras

  8. Pingback: 1° de Dezembro – Dia Mundial de Luta Contra a AIDS e o Preconceito « Poucas Palavras

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