A Fugaz Delícia de um Beijo

Atravessou a nado a piscina natural que os separava.

Ela, estática, parecia não acreditar no que via. Era ele, vindo ao seu encontro.

Beijaram-se. Molhada e intensamente. Apertavam-se tanto que pareciam querer penetrar um nos poros do outro.

Fechados os olhos, sentiam seu cheiro natural deles, aqueciam-se suas mãos sob os cabelos, olhavam-se profundamente, compartilhavam seu reflexo em suas respectivas íris, misturavam-se.

Ela relaxava enquanto ele puxava seu cabelo. Sentia-se finalmente à vontade, pois era ele. Ele podia fazer isso. Ela se sentia bem. Sentia-se viva. Sentia-se mulher.

Beijou-a novamente. Parou para analisar o gosto que sentia em sua boca. Gosto de amor. Amor, misturado com água do mar. Um mosaico de saudade, tesão, desespero e vontade de ficar.

Voltou, exatamente como veio. Decidido, sem olhar para trás, nadando, nu.

Ela o fitou até que ele desaparecera no horizonte.

E em sua boca ficou apenas a lembrança.

Advertisements

6 pensamentos sobre “A Fugaz Delícia de um Beijo

  1. Beijo com gosto de sonho ébrio.
    Beijo enebriante com gosto de sonho.

    Beijei assim uma vez, uma única vez, em um halloween. Cheguei, beijei, ficamos aquela noite até amanhecer. Sem sabermos o nome um do outro. Sabíamos que tínhamos amigos em comum, afinal a festa era privativa. Mas fizemos a nossa festa.

    E, tal como os vampiros morrem com a luz do Sol, aqueles beijos de halloween pereceram à aurora.

    Sem nome. Sem história. O beijo fez sua própria história.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s