O Círio de Nazaré

Há algum tempo, eu já desisti de praticar o catolicismo. Agora, vou a Missas, como eventos: casamentos, sétimos-dia… aqueles que não podemos faltar. No entanto, já me sinto livre para dizer que não concordo, mas consigo respeitar.

Nasci, fui batizada, até primeira comunhão, eu fiz. Porém, recusei-me ser crismada. Na adolescência é mais fácil ser rebelde. Temos respaldo.Contudo, não voltei. Afastei-me cada vez mais, por motivos de crescimento mesmo. Aquela não era a MINHA religião.

O que trouxe da religião de minha criação foi o amor pelo Círio e pelo Natal. Destas, a data que continua tendo um grande significado religioso, na minha cidade, é o Círio de Nossa Senhora de Nazaré (porque o Natal tem todo aquele apelo comercial e tal…).

E para o Círio há toda uma preparação, um planejamento. Esta é a semana do Círio, e assim como a minha, ela tem influência não só na vida dos católicos mas na vida de quem ama a sua família e sua cidade.

Neste ano, o meu sacrifício foi enfrentar dois dias seguidos de plantão o dia inteiro, para ficar o próximo final de semana livre.

É difícil de explicar o que acontece no Círio, mas realmente, á um acontecimento que muda a gente… eu fico mais feliz por estar em casa, de folga, ajudando a mãe na cozinha, buscando parentes para almoçar em nossas casas, ligando para amigos para desejar um bom Círio e que “a Santinha nos ilumine”.

Aqui o Círio começa na sexta-feira com o Auto do Círio, que é a representação teatral do cortejo, com atores e dançarinos. No sábado à tarde, acontece o Arrastão do Pavulagem, que começa assim que a Santinha chega pela Baía da Romaria Fluvial. O arrastão sai da escadinha da Estação das Docas e vai até a Praça do Carmo, onde acontece aquela festa!

À noite, acontece a primeira procissão, a Trasladação, onde muitos preferem acompanhar, por ser mais tranquila e não ter o desconforto do sol escaldante. Procissão ideal para as crianças e os idosos. Assim que a Trasladação acaba, começa a Festa da Chiquita, que é a manifestação pagã do Círio, organizada pela sociedade GLBT local.

Na manhãzinha de domingo, já tem gente esperando a santinha sair. Alguns acompanham na corda que a cerca, como protetores da imagem que passeará pelas ruas de Belém. Vem pessoas do interior do Pará e até de outros estados ou países. A cidade fica lotada, toda colorida e cheia dos eventos culturais.

A procissão dura a manhã toda e termina no almoço, com a família reunida para comer os pratos tradicionais, como o Pato no Tucupi e a Maniçoba, geralmente acompanhadas do Creme de Cupuaçu e do Açaí como sobremesas.

A tarde é hora da sesta, do descanso, do silêncio. E a manhã de segunda-feira é feriado local, pra a recuperação das forças gastas com o fim de semana… o melhor da semana para os paraenses.

Para mim!

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3 pensamentos sobre “O Círio de Nazaré

  1. Pingback: Tweets that mention O Círio de Nazaré « Poucas Palavras -- Topsy.com

  2. Amiga, concordo plenamente quando dizes que é na vida de quem ama a sua família e sua cidade que há uma transformação; Só quem não tem amor algum no seu coração que não é contagiado com essa energia do círio. A cidade fica linda, cheia de lírios nas frentes das casas, fica todo mundo sorridente e receptivo aos turistas. EU AMO O CÍRIO!

  3. Concordo desde o início do seu texto… incrível…. a nossa única diferença é q eu não fiz a primeira comunhão e nem crismei… fiz o curso mas não acabei….. mas por discordar de muitos pontos de vista, deixei de acompanhar o catolicismo….

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