Quem nunca comprou um morango podre?

Para Roberta, minha Trufa.

Quando eu era ainda criança, minha mãe me levava ao supermercado com o intuito também de ensinar-me sobre como fazer compras, sem cair no engano do marketing. Chegando na seção de frutas, ela sempre me lembrava de evitar comprar as frutas já embaladas.

“Para comprar frutas, temos que vê-las inteiras, sentí-las, cheirá-las, apalpá-las. Só então saberemos se ela é boa ou não para o consumo. As frutas embaladas não nos deixam avaliar direito. A parte não aparente pode não estar boa, e as outras, logo, logo vão apodrecer junto”.

Parecem Perfeitos, não?

Não são. As empresas tem a ideia de embalar os morangos para vender mesmo aqueles que não estão totalmente bons, deixando o aspecto que o denuncia para baixo. Assim você compra morangos aparentemente lindos e apetitosos, e quando percebe, a maioria já não está mais comestível por causa do mofo. E quando o primeiro morango está mofado, não irá tardar a contaminar os outros.

Assim são as pessoas. Raras são aquelas que se mostram por inteiro, sem estarem “embaladas” aé mesmo por proteção. Sabemos que todos nós temos virtudes e defeitos. TODOS, afinal, somos humanos.

Existem muitas pessoas carentes. Tanto, que ficam super-empolgadas com uma pessoa nova só porque fizeram gentileza de sorris ao dar bom dia. Ou aquele rapaz bonito que abriu-lhe a porta do carro para você entrar. Infelizmente, o natural deveria ser esse: a gentileza. Estamos tão acostumados à competição no trânsito, à falta de educação, que quando nos deparamos à gentileza, ficamos assim, bobos e entusiasmados.

É o lado bom que todo mundo tende a mostrar à primeira vista. O lado vistoso, suculento e vermelho do morango. Ao sonhador, eu lhe digo: prepare-se também para conhecer o bolor e avalie se você encara ou não.

Existe o bolor mortal, aquele que você entra em coma por infecção… e existe o bolor que dá gosto ao queijo, que forma a trufa… Todo mundo tem um bolorzinho. A gente só precisa estar preparado para conhecê-lo, mesmo na fase de superempolgação. Assim, evitamos as decepções e as cobranças de pedir ao parceiro que ele mude, para que possamos aceitá-los.

A gente precisa ter pé no chão até para confiar em alguém, para chamá-lo de amigo e depois não se arrepender. O mesmo vale para possíveis paqueras. Nas primeiras semanas tudo é festa… mas quando chega à intimidade, as coisas tendem a complicar, se uma das pessoas não estiver preparada para conhecer o “bolor” do outro.

Para ilustrar, vou colar uma crônica do Paulo Coelho, que um dia minha melhor amiga me proferiu:

Porcos-Espinhos

Durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do frio.

Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram se juntar em grupos, assim se agasalhavam e se protegiam mutuamente, mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que ofereciam mais calor.

Por isso decidiram se afastar uns dos outros e voltaram a morrer congelados, então precisavam fazer uma escolha:
Ou desapareceriam da Terra ou aceitavam os espinhos dos companheiros.

Com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos.
Aprenderam assim a conviver com as pequenas feridas que a relação com uma pessoa muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor do outro.

E assim sobreviveram.

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