A Casa da Minha Tia

Desde os meus sete anos de idade, eu moro em apartamento. Que bom que, em boa parte da minha infância, pude aproveitar uma rua que era segura, onde podíamos jogar bola, andar de bicicleta e brincar de cirandinha com os vizinhos (sim, sou desse tempo).

Aos sete, mudei-me para um apartamento, em um prédio onde não havia playground, mas tinha vizinhos igualmente sapecas que aproveitavam os espaços das garagens para andar de patins e pular amarelinha e elástico.

Aos onze, mudamos para um bairro nobre, onde os vizinhos não são tão amistosos como os anteriores. Já entram no elevador de cara feia e falam um “bom dia” carrancudo, mais pela obrigação de “ser educado” do que pelo prazer de desejar, verdadeiramente, que seu vizinho tenha as próximas 24 horas cheias de sorrisos sinceros.

Pois bem, depois de tanto tempo enclausurada, por conta de obras no apartamento de minha mãe, tivemos que passar este final de semana na casa da minha tia.

Aqui, há apenas dois quartos, que certamente, juntos, são quase do tamanho do meu apartamento todo. Ainda há duas salas, a de estar, a de jantar e a cozinha é ampla e arejada, com uma janela grande que clareia naturalmente com a luz do sol.

Ainda há um pátio com plantas, quintal, área lateral (para correr com a cadela e ensaiar passos de jazz livremente, sem o risco de bater o cotovelo em uma quina ou de lascar o joelho na parede). Aqui dá para rodar de braços abertos: coisa impossível no apartamento.

Além do mais, dias de sol são mesmo, dias de sol. A luz entra em todos os compartimentos e luz artificial é completamente desnecessária atá as seis da tarde.

Claro que há alguns reveses, como não poder andar nua pela casa, ou dormir sossegada à tardinha. As janelas são enormes e dão diretamente para a rua. Sem contar com as crianças dos vizinhos, que vão entrando na casa sem a menor cerimônia para brincar com sua cadela.

No mais, sinto saudade do jardim da minha antiga casa. Era bom sentir o cheiro da grama após a chuva. Tenho lembranças deliciosas da piscina inflável do quintal, e de treinar penalties com meu irmão mais velho. Do autorama, da bandeirinha, do cemitério.

Infelizmente, hoje temos que nos prender em gaiolas pela segurança, enquanto os ladrões estão soltos. E muitas de nossas crianças se divertem dentro de casa com seus computadores e video-games de realidade virtual.

Sorte a minha que tive uma infância de realidade bem real.

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