AIDS: A Doença da Negação

Bons exemplos tivemos nos anos 80/90. A Aids atingira algumas pessoas da mídia que assumiram a infecção, deixavam seu sofrimento público e faziam campanha de divulgação para a proteção contra a disseminação dessa doença ainda incurável*. Vários exemplos no Brasil, como Sandra Bréa, Cazuza, Renato Russo e Lauro Corona eram modelos de um sofrimento que todos temiam para si.

A geração que hoje tem entre 25 e 30 anos, cresceu já aprendendo que se deve usar a camisinha desde a primeira vez. Junto com a AIDS, a camisinha prevenia outras doenças, como as populares gonorreia e sífilis.

Hoje em dia, com coqueteis, a vida se prolonga nos soropositivos.
O que cresce é o preconceito.

No começo haviam os determinados grupos de risco: usuários de drogas injetáveis, prostitutas e homossexuais. No entanto, hoje em dia, a população que cresce soropositiva é justamente a das mulheres casadas, em casamentos nos quais os maridos pularam (com mulheres ou não!) a cerca sem proteção, trazendo a doença tão temida para dentro de casa.

Caro leitor, atualmente, pessoas idôneas como eu e você aguardam também na fila do coquetel. Junto com o travesti marginalizado, existem os técnicos que sofreram acidente pérfuro-cortante e ainda há os que adquiriram a doença ainda na barriga da mãe! Mais inocente impossível, não?!

Todavia, pelo estereótipo do soropositivo, já enraizado na cultura, absolutamente TODOS OS SOROPOSITIVOS são quase que automaticamente CONDENADOS pela população por terem adquirido tal doença. São demitidos (por qualquer outro motivo laranja…) ou mesmo excluídos de qualquer comunidade. Apesar de todos saberem os modos de transmissão e et cetera.

Sim, eles podem usar a piscina, jogar futebol, vôlei, lutar judô! Não existe contaminação pele-pele, suor, saliva… O que vemos? DIFICULDADES, a partir do momento em que assumem a soropositividade. O que isso gera? NEGAÇÃO.

Quando foi o último relato de celebridade com HIV? Não me lembro. Hoje em dia, morre-se de tuberculose, “complicações pulmonares”, linfomas… doenças essas que podem muito bem estar relacionadas com o HIV – mas ninguém menciona a soropositividade.

Qualquer um que assuma, fica estigmatizado para sempre! Ele não será mais o cantor de música tal, ou o galã da novela tal: será o cara que tem AIDS. Entende?

A AIDS fica coberta em panos quentes, ninguém mais fala disso e nem lembra quando vão transar. Se perguntarem para um jovem por que usa camisinha, ele vai responder que não quer engravidar a namorada. Não teme AIDS nem sífilis, pode até já ter ouvido falar em gonorreia, mas aquilo nunca vai acontecer com ele… Afinal “ela é virgem”.

Mal sabe ele que “ela” pode ter nascido já com a doença…

Não pegue AIDS: Use Camisinha

“Sempre que você dorme com alguém, também dorme com o passado dela”

* Atualização: Tratamento rápido contra HIV sinaliza ‘cura funcional’ da aids. Em 20/03/13.

2 pensamentos sobre “AIDS: A Doença da Negação

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