A Vida Vazia de Quem Se Dá

Outro dia, li um texto do Osho, falando sobre o valor da nossa privacidade. A privacidade, realmente, acaba sendo uma coisa só nossa e de mais ninguém. E quem perde essa privacidade acaba meio perdido, sem chão.

No texto, ele exemplifica usando Marilyn Monroe, que era linda, famosa, rica, porém, acabou acabando com sua própria vida que, pelo menos pra ela, não deveria ser tão interessante assim.

 

Talvez não tenha sido só pela perda da privacidade, mas também, por uma autocobrança frustrada de ser perfeita. Como era uma pessoa pública, não se daria o direito de ter seus defeitos, seus sofrimentos, sua dor. E tentava anestesiar com drogas e álcool.

Impossível não lembrar também da saudosa Amy Winehouse, da recém-falecida Whitney Houston e de Demi Moore, recentemente internada numa clínica de reabilitação, depois de entrar em crise pela sua separação. Todas sem chão, procurando flutuar numa nuvem que se esvai sem que percebam… uma hora elas caem, definitivamente.

Deve ser meio isso, uma vergonha daquelas de querer-se enterrar – e algumas levam isso bem a sério mesmo.

Lembro de quando eu não passei no vestibular na primeira vez. Nem foi tão dramático assim, porque eu sabia mesmo que era bem difícil passar. Só que o primeiro dia de aula do cursinho após a bomba, foi bem constrangedor pra mim. Eu me importava até se me tinham me visto entrar no cursinho! Ainda bem que conheci pessoas na mesma situação, e tive apoio em casa (e consegui passar no outro ano!).

Pior mesmo foi quando terminei um namoro super longo. Pra mim, a gente ia se casar! E de repente, BUM, terminou! Eu saía na rua, era sozinha. Solteira. Não ia mais me casar. E por não vivermos brigando, éramos bem felizes à frente de todos, as pessoas se indignavam quando sabiam da separação o que aumentava ainda mais meu sofrimento – e eu que tinha terminado! Foi difícil, hein?Acho que chorei por seis meses, só de assistir comercial de margarina.

A sorte é que eu não me deixei levar. Tinha uma faculdade bem difícil para tocar, sempre malhei (isso ajuda a autoestima, faz esquecer, temporariamente, dos problemas e ainda fabrica endorfina e serotonina, duas substâncias que evitam a depressão), e tive muito apoio de amigos e da família. E isso, porque eu não era famosa! Já pensou ter todo o meu sofrimento estampado numa capa de revista e vendendo como água?

Não, nem quero pensar. Se doeu muito em mim, sofrer em praça pública deve machucar bem mais!

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