Humanizando o Parto

É, queridos, o parto, às vezes, pode ser desumano. A mulher sente dores, sofre várias violências por parte da equipe médica e, muitas vezes, fica calada por não saber que aquilo ali é CRIME.

Eu fiz minha residência em pediatria na Santa Casa, um hospital de referência para nascimento, especialmente os mais complicados. Nomeado hospital amigo-da-criança, ainda pecava muito no aspecto de desrespeito em relação às mães que ali desejavam parir.

Vi muita coisa que gostaria de não ter visto, porém, vi. Especialmente quando fazia sala de parto (que eu adorava) e recebia os nenéns que nasciam, ficava chocada com os maus tratos que as mães passavam. Infelizmente eram raríssimos os obstetras comprometidos com o respeito do atendimento.

E é contra esse desrespeito que estamos lutando. Sim, estou nesta. Conheci uma gama de profissionais de saúde interessados em proteger essas pacientes. O que deveria ser comum, hoje é minoria. Mas temos esperança que esta situação mude.

Eu mesma, se tivesse que escolher parir hoje, preferiria mil vezes parir em casa, com a equipe de parto humanizado da cidade que é muito boa (tive a sorte de conhecer o trabalho e entrar no grupo!). Só que o corporativismo médico brasileiro está lutando contra tudo o que a Organização Mundial de Saúde vem pregando!!!

Primeiro foi o CREMERJ proibindo a participação das doulas, quando já foi comprovado cientificamente (e a OMS apoia sua participação no parto humanizado!) que a presença delas contribui para menos incidência de anestesia intraparto, e outras intervenções que podem ser prejudiciais para a mãe e a criança. E, soubemos hoje, que o CREMESP está com o CREMERJ nesta luta! Por quê?

Já está conhecida a famosa “mania de cesária” que o sudeste tem, né? Claro! É mais prático, dá mais dinheiro para o médico (e para o hospital) e tem hora para acabar! Enquanto um parto pode durar até um dia inteiro, apesar do maior risco comprovado para os pacientes, é uma ótima opção para o médico que tem horário para chegar em casa…

Sabe-se também que o índice de mortalidade infantil precoce, no Sudeste, é maior, apesar de todos os recursos tecnológicos que utilizam – são válidos?

O parto não é um procedimento médico, é fisiológico (o corpo está totalmente preparado para parir, mesmo sem remédios, intervenções e cortes), como tossir, espirrar ou fazer xixi e cocô!

O que queremos não é muito, é apenas que seja cumprida a lei.

Pai: não é acompanhante. Pai é pai!! Entra na sala de parto com a mãe. Além dele, a mãe tem direito a mais um acompanhante: que pode qualquer pessoa de confiança.

A episiotomia (corte na vagina que muitos obstetras fazem just in case de lacerar o períneo), quando não autorizada, é crime de lesão corporal e pode sim, ser denunciada!

Há muitas informações ainda que a população deveria ter acesso e , claro, por interesse de muitos, não tem! A partir do momento que uma grávida sabe todos os seus direitos e tudo o que pode ocorrer com o corpo dela e com seu filho, ela começa a questionar e a exigir que seu tratamento seja melhor.

Está na hora de estudar, conhecer, informar-se… para que saibamos reconhecer o que é violência ou não.

Amanhã, estarei participando da Marcha pela Humanização do Parto, junto à galera do Ishtar Belém, , a fim de alertar a população sobre seus direitos e de chamar a atenção das autoridades que teimam em fechar os olhos para uma situação tão calamitante quanto essa.

Chega de (desne)cesárea, episiotomias, fórceps, ocitocina, vácuo-extraçã… tudo isso tem sua indicação precisa, não devem ser usados indiscriminadamente.

Chega de violência. Queremos que essas crianças nasçam cercadas de AMOR por todos os lados.

Quero isso pra mim! *.*

ATENÇÃO: interessados, estudantes de enfermagem, medicina, técnicos de enfermagem, preparem-se! No dia 11 de outubro, haverá um Workshop sobre Humanização do Parto e Nascimento.
Publico mais informações em breve! Agendem-se!

Um pensamento sobre “Humanizando o Parto

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