Caixas e Conteúdos

Não conheço ser humano que não se frustre ao ganhar um presente aparentemente maravilhoso mas que, aberto, não revele ser mais que uma caixa vazia. O que me espanta, porém, é conhecer tantas pessoas que não se importam em ser justamente essa caixa vazia na vida das outras.

(Flávia Brito)

Este texto escrito pela minha amiga Flá, gerou vários pensamentos repentinos que se transformaram neste post.

Primeiro, levei ao pé da letra a mensagem para, só então, fazer as devidas analogias. Lembrei-me de algumas caixas que tenho aqui, que vieram de presentes que hoje nem me lembro mais o que eram. Essas caixas guardam envelopes, outras bijuterias, presilhas, pulseiras. E ainda me servem.

Depois me lembrei de como minha mãe foi pedida em casamento. Seu noivo pusera as alianças em um pedaço de papel de pão e ela ficara estupefata com o presente.

Correlacionando presentes e embalagens, confesso que nunca fui muito boa de embrulhá-los. Sempre dou de qualquer jeito ou embrulho desastradamente… nem me dou o trabalho de pagar mais de cinco reais para colocar em uma caixa com um laço grande…

Pode ser até um medo escondido da embalagem ofuscar o brilho real do presente. Vai que a pessoa imagina um presente enorme, caríssimo só por causa do embrulho, quando, na verdade, putz, eu demorei pra caramba para encontrar o presente perfeito, o que eu adoraria que ela abrisse e levantasse as sobrancelhas com um sorriso aberto no rosto. Acho que eu não gostaria de ver o contrário: as sobrancelhas levantadas apenas com o embrulho e um sorriso amarelo depois.

No entanto, eu ADORO caixas, latas e qualquer coisa que eu possa utilizar depois, como a boa capricorniana que sou. Dos presentes, matéria, eu tendo a esquecer quem me deu o quê, a não ser que a situação do brinde tenha sido importante (como alguns presentes que a Lú deixou na portaria, sem explicação nenhuma, o brinco, o estojo de maquiagem…).

Fazendo a analogia:

Gosto de caixas e embalagens que eu possa usar depois: sim, eu admiro a beleza das pessoas, mas o que me interessa mais é como elas vão me acrescentar. Se é que elas irão acrescentar.

Eu mesma não cuido muito do embrulho quando dou um presente: poderia ser reflexo da minha vaidade cotidiana, que só aparece quando sei que vou encontrar quem eu gosto: amigos, paqueras… No dia-a-dia, sou alguém de coque, óculos e camiseta regata. Porém SEI que o conteúdo se garante.

Sobre os outros: sempre espero que, por trás da embalagem bonita, exista algo aproveitável. E se o presente for importante mesmo (como as alianças de mamãe), o embrulho é totalmente dispensável.

E se a pessoa não tem conteúdo, sim, se tiver bom coração, ELA ACRESCENTA. Porque não adianta ser um poço de cultura quando se tem uma arrogância indiscutível (e convenhamos, são raríssimos os que tem inteligência e a sabedoria para ser humilde em um só pacote).

Antes de beleza da embalagem e conteúdo… CARÁTER (ou  qualidade da caixa…).
Está aí o Adauto que não me deixa mentir.

Caixas vazias: eu mesma me dou o trabalho de preenchê-las.

Entre beleza do embrulho e conteúdo, eu ainda fico com a qualidade da caixa. =)

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Um pensamento sobre “Caixas e Conteúdos

  1. ADOREI ESTE ARTIGO,SOU CAPRICORNIANA TAMBÉM, JORNALISTA DE FORMAÇÃO E ARTESÃ POR OPÇÃO E, ALÉM DE GOSTAR DE CAIXAS, EU PINTO E VENDO ….CAIXAS…

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