Não Quero Ser Só Isso

Nunca gostei da “bio” que você é obrigada a escrever em cada rede social. O clichê “Quem se define se limita” poderia ser a melhor que já usei. Mas também gosto da antiga “vai saber! quem souber, me salve!”. Ambas citações alheias.

Quando eu era pequena, eu me definia como “a única menina da sala que tinha pais separados”. Eu escondia isso de todo mundo até que a professora fez o favor de contar à turma. Ainda me lembro de todos os olhares da segunda série, sala B, espantados em minha  e perguntando se era verdade.

Depois, disso, eu fui a “sobrinha da professora”. Isso me deu um superpoder, ego inflado, autoconfiança e vários menininhos a fim de mim, mas durou pouco. E depois, vi que não era mais ninguém.

Quando passei no vestibular para medicina, eu era a estudante de medicina da família. A “doutora” (ARGH!). No ano seguinte virei a “namorada do Fulanodetal”, que tinha uma banda bem legal de Rock-Cover. Foi nessa época que me anulei totalmente e virei um zero à esquerda.

Desde então, evitei todas as formas de rotulação possíveis. Eu queria ser só a Jazz ou Borboleta (meu nick, na época), um mix de todas as coisas.

Hoje consigo ser filha da minha mãe, médica, dançarina, blogueira, maquiadora e conselheira de plantão. Também estudante de psicologia, espanhol e tudo o que me for interessante. Uma eterna aprendiz de qualquer-coisa, viajante ocasional, natureba, a fotogênica e photoshópica.

Ainda não sou mãe, e quando for (se for!), não quero ser só isso. Sempre tive medo de ser uma, por achar que, quando se é, deixa-se de ser tudo aquilo que já foi.

Quero somar atividades, não por apego e sim porque, pra mim, é necessário ser multi. Eu posso ser multi. Eu quero ser multi. Eu sou multi.

I’m every woman, It’s all in me.

A dança não é a minha vida. A medicina não é a minha vida. Tudo faz parte de um todo. Se uma parte me faltar, terei a outra. Ou arrumarei outra no lugar.

O importante é saber dividir, ser a mesma em vários aspectos, moldar-me àquela hora, àquele local.

Ser o que a hora pede.

Ter a liberdade de ser o que eu quiser, quando quiser.

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