A Borboleta Sozinha

Ela apareceu tímida, com cores vivas e quentes e pousou em um local inusitado. Ficou. Estava feliz sozinha, mesmo longe de flores coloridas, perfumadas e bem mais atraentes do que onde permanecia.

Mas estava feliz, sabe? Solitária com seus pensamentos, sonhava em um dia encontrar um jardim e um par para acompanhá-la. Estava feliz, mesmo apenas sonhando. Sem perigo de predadores, passava o dia a imaginar como seria quando tivesse coragem de sair de sua zona de conforto, onde nada a incomodava.

Dreaming Butterfly

Só que um dia, ele passou por ali e a viu, solitária e contente. Que estranho! Não havia nem jardins, nem pomares, não havia cores por ali para que ela ficasse e, mesmo assim, continuasse feliz. Intrigou-se.

Aproximou-se. Conversaram um tanto. Ele era lindo, robusto e curioso. Fazia um monte de perguntas. Não vivia em um jardim tão florido quanto ela sonhava, mas sempre estava junto aos seus iguais, não enfrentava bem a total solidão. Curiosos por terem estilos de vida tão diferentes, aproximaram-se. E entregaram-se.

Ele até queria experimentar a solidão a qual ela conhecia tanto. Mas preferiu seguir com ela, para descobrir como conseguia ser tão feliz sozinha, mesmo sem iguais e sem flores. Ela sorria com tantas histórias que ele contava da civilização. E pensava que seu sonho, era uma realidade existente e a prova estava ali à sua frente.

No fundo, a borboleta seguia resignada em sua zona de conforto, apenas imaginando SE existia o tal jardim. E precisou conhecê-lo para ter a coragem de deixar seu lago calmo e parado pela imensidão do jardim que ele lhe prometia. Em troca, ele só queria saber como ela conseguia passar tanto tempo sozinha, porém feliz.

Ela relutou um pouco a sair dali, mas conseguiu. Foi conhecer o jardim que tanto ele falava. Era bem melhor do que ela imaginava em seus sonhos. E agora ela estava com ele. Não era mais só. E ele finalmente experimentava a beleza da felicidade que vinha de dentro dele, e não dependia de cenário e companhias. Mesmo que ela fosse embora, ele conseguiria manter-se feliz porque não precisava mais dela. Na verdade, percebera que só precisava manter o amor como condição de vida para que continuasse feliz, mesmo quando a tempestade derrubasse suas flores e levasse sua amada borboleta embora.

Two Butterflies

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