Susan e a Constelação Familiar Sistêmica

Susan entrou na sala com o coração a mil. Ela poderia ouvi-lo nitidamente, e senti-lo de encontro ao peito como se quisesse sair. Isso deixava sua boca seca, as mãos geladas e dava-lhe um sorriso amarelo de constrangimento. Havia na sala, várias pessoas que nunca vira, além do seu terapeuta que a recebeu com um abraço que sempre deixava seu perfume na roupa dela.

Foi apresentada ao grupo por ele. Havia. Á sua direita, havia quatro pessoas, Renata, Rafaela, Rodrigo e Carol. À sua esquerda estavam Sérgio, Ana Lúcia e Isabela.

Escolheu Carol para representá-la. Era magra, branca, tinha o cabelo escuro e liso e um olhar curioso como o dela. Para ser Malvino, seu amado, escolheu Rodrigo. Ficaram lado a lado enquanto entravam nos personagens. Depois de uns minutos de concentração, ela teve vontade de abraçá-lo, mas não o fez. Pois sentira que ele mesmo não queria o abraço. Ele relatou indiferença. Não sentia absolutamente nenhuma vontade. Nem de abraçar e nem de sair correndo. Susan engoliu essa.

Mudaram de posição. Ela ficou de frente pra ele. Ele se manteve tranquilo, sem qualquer expressão de carinho ou repulsa. In-di-fe-ren-te. Ela já, olhando pra ele, ficou cansada, com sono. Já não queria mais. Preferia andar pra frente. Seguir.

Entraram em cena os pais de Susan, representados por Ana Lúcia e Sérgio. Carol se sentiu mais à vontade ao lado deles. Mesmo assim, preferia seguir em frente, andar. * Fuga? *

Malvino sai de cena. Ficam apenas os pais. Ela, de frente pra eles, fica bem. Chega o irmão. Este não se sente bem ao lado dela, mas ela o abraça. Ficam os três alinhados, mãe, pai e irmão. Ela se sente bem. O pai é afastado da cena. A mãe se incomoda. Quando ele vira de costas, a mãe se incomoda mais ainda. Todos reagiram mal. Carol nem aguentava ficar ali. Afastou-se. Quando o pai vira, de frente, ainda afastado, fica melhor para todo mundo. A mãe se alivia, Carol também. Chega mais perto.

Já quando o pai de frente para Carol, em um nível mais próximo que a mãe e o irmão, ela fica tensa. Refere até uma dor de cabeça. E a mãe fica com vontade de chorar. O irmão também não gosta.

O pai é afastado novamente. Todos se aliviam. Desde que ele permaneça virado de frente e não de costas.

Susan então entra no lugar de Carol. E fala com a mãe, o pai e o irmão, sob influência direta do terapeuta. O pai se aproxima e abraça-a. O irmão se alivia; a mãe, surpreendentemente, também.

Rafaela entra em cena como a autoestima de Susan e esta se sente mais forte, realmente, sentindo as mãos pesadas e benevolentes de Rafaela enquanto ela passeia pela sala, representando o seu novo caminho. Agora completa.

Durante o passeio, avista Isabela, que representa o seu próximo amor. Ele existe. É paciente e está esperando por Susan. Mas, diferente dos outros que serviam somente de distração, este é completo. Também só anda com a autoestima ao lado. E é assim que ele espera por Susan. A Susan completa. Ela e sua autoestima. Ele sorri paciente e cheio de carinho em seu semblante. Susan sai sorrindo e esperançosa.

Não precisa demais nada. Não precisa mais buscar desesperadamente por distração. Pois agora tem missões para fazer. Para que sua autoestima continue a andar sempre com ela, com suas mãos pesadas sobre seus ombros, e assim: ela passeia segura até encontrar seu próximo e verdadeiro amor.

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s