Quando eu me for

A morte é certeza que chega a cada dia, mais perto. Impossível abster-me de certa curiosidade sobre o modo em que partirei. Por doença ou acidente, violência, como seria? Deixo a comando de Deus. Mas e o depois?

Apenas espero que tenha cumprido algumas metas. Evoluído a um novo nível. E o que fica? Talvez um legado: minhas letras. Meus pensamentos gravados, reflexos da fase em que me encontrava. Alguns bens. Se pudesse escolher, que ficassem todos com meu irmão mais velho. Alma protetora. Anjo pacífico. Redentor.

Algumas coisinhas simbólicas deveriam ficar a algumas amigas. O brinco dourado de pena ficaria com Luciana, óbvio. O abajur de borboleta eu gostaria que ficasse com minha irmã pequena, Álice. O poster da Rei Ayanami voltaria para a posse de Alina, que poderia fazer um novo leilão. O último (em que o arrematei) foi bem divertido.

Na ocasião de meu desencarne, poupem seus gastos. Economizem ao máximo. Não gastem seus dinheiros contratando padres. Eu sou espírita e pagar para cerimônias religiosas é CONTRA a minha religião. Na ocasião do velório e enterro, uma boa amiga poderia dizer palavras bonitas. Essa função poderia ficar com a querida Priscila, minha colega oradora do Caminheiros. Mas quem estivesse à vontade, e quisesse falar, tome para si a missão. Trilha sonora também se faz necessária. Tem um CD no meu carro, que tem a trilha ideal (ele provavelmente se encontra dentro do rádio do automóvel, porque eu não tiro esse CD do som desde a aquisição do Pablo Pimenta!). Se não encontrarem o CD, podem colocar Enya, Björk, Belle And Sebastian, ou música Clássica: eu vou achar chique (só evitem Tchaikovsky que me faz lembrar do balé). São bem mais legais os funerais americanos, onde há um tipo de festa e amigos e parceiros falam da pessoa, ao invés de impessoais padres que sequer me conheceram ou teriam minha bênção para falarem de mim. Não, por favor! Também não “mandem rezar missa”! Prometo estar em paz se cada um fizer uma prece no recanto do seu lar, do fundo do coração. É o que eu mais acredito.

“Quando fores orar, entre no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai em segredo;
e teu Pai, que vê o escondido, te recompensará” ( Mt 6, 6 ).

Sem missas, sem padre no funeral e no sepultamento (ou cremação, sei lá). Se me cremarem, que as cinzas sejam sopradas no Mendara, onde passei a infância. Onde aprendi a andar de bicicleta. Num jardim, de preferência aquele da casa 28 na Rua I, Quadra S.

Se eu tiver um namorado, que ele fique com nossos lençóis. Mas ele pode se desfazer deles, quando quiser (doando para alguém que esteja precisando mais que ele).

Não jogue nada fora. Acumulei coisas e que essas coisas tenham destino. Passe adiante. Que os livros espíritas lotem a biblioteca do Caminheiros. Que os livros de medicina sejam doados todos à biblioteca da UEPA – aqueles livros de lá me salvaram durante a Universidade.

Sobre a conduta dos que ficaram: sem desespero por favor! Vou precisar de muitas orações. Àqueles que magoei, peço perdão e faço a promessa de nos encontrarmos novamente para resolvermos logo essas pendências. Peça algo em oração que prometo que ajudarei, no que estiver ao meu alcance. Aqueles que – porventura – tornaram-se dependentes de mim, terapia já! Particularmente, eu recomendo a Constelação Familiar que me ajudou de monte a resolver meus problemas terrenos.

Minha sincera gratidão ao Aluísio Almeida, meu constelador. Ao Alberto Almeida, pelas palavras. A todos os amigos, à família que sempre esteve ao lado, aos inimigos que me obrigaram a reformar a mim mesma, em especial à Karine e ao Aldo, que me fizeram crescer muito.

 Quem estiver lendo, esta é só uma prévia da carta final. Espero que ainda hajam muitíssimas atualizações até lá. Fica aberta a oportunidade dos que querem alguma coisa (bens, palavras, perdão, agradecimentos, qualquer coisa), que o façam antes de eu partir, para que possa incluir em uma possível nova versão deste testamento virtual. Fica o lembrete, especialmente, aos que tenho pendências, dívidas, débitos, mágoas a resolver. Vamos adiantar logo isso para que minha bagagem de expiações seja esvaziada para a próxima encarnação!

Amém.

PS: se todos puderem vestir branco nas ocasiões de funeral e sepultamento, eu vou achar lindo. E se puderem enfeitar tudo com flores coloridíssimas do campo, também. Não quero nenhuma cor faltando nas flores.

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