Não Há Razão No Verdadeiro Amor

“Você é linda. É uma pessoa boa. Boa, prestativa. Boa. Louca. Mas boa.”
“Louca?”
“Louca. Louca é bom. Detesto pessoas normais. Louca é um bom adjetivo. Um dos melhores. Há vários adjetivos bons pra ti”.

São os adjetivos enumerados por ele que a fazem olhar para o vazio, com a mente longe. Enchem seus olhos de lágrimas, que ela controla muito bem. Aprendeu a ceder o lugar de drama queen para mulheres “normais”, mais viscerais. Ela não tinha mais razão de ser. Feliz, como vem andando. Matando o desejo sempre que se depara com ele. Deixando pra trás o passado antigo, velho, empoeirado e cheio de traumas. E ignorando o futuro, mais porque o teme. Ele sempre traz as perdas que ela evita.

Conversaram muito – sem necessidade. Poderiam ficar ali, apenas juntos, respirando o ar um do outro. Reabsorvendo aquela energia que há tanto tempo não compartilhavam. O abraço hormonal que transforma sua taquicardia em calmaria. Dois sorrisos dividindo o mesmo beijo atrapalhado de sempre. Já não importa a razão de estarem ali. Na verdade, tudo o que acontece entre eles parece onírico. Um fato em uma falha no espaço-tempo. Uma história de outra dimensão. Certamente vinda de outras vidas. Vivida apenas em lapsos, flashes tão rápidos, mas suficientemente interessantes/estressantes para deixar cicatrizes eternas. Uma tatuagem espiritual. Que só dói depois que se esquece dela.

Não precisavam usar de palavras. Sinceramente, usaram-nas à toa. Para concluírem incertezas. Não sabem porque se amam. Teorizam sobre um amor místico sem qualquer explicação plausível. Ela não queria uma vida parecida com a dele. Ele não concorda com seu modo de viver. Ela é estranha pra ele. Ela nem o conhece direito. Mas se amam, sem explicação, sem razão de ser.

Não é físico. Não é carnal. Muito menos intelectual. Moral, então! Nem se fala. Valores completamente diferentes. É como se ele fosse de Marte, ela de Vênus. Ou ela de Mercúrio, ele de Plutão. Ele sol, ela lua. Ele só, ela nua.

Mundos tão diferentes, sentimentos tão parecidos. Sem explicação seguem vivendo cada um a sua realidade. Ela já aceitou a situação de inexplicável. Não interessa mais saber por quê. Ele ainda se preocupa com isso. Se é um amor espiritual, atávico, vale classificá-lo.

A ela, basta saber que ele existe.

0Walking After You

2 pensamentos sobre “Não Há Razão No Verdadeiro Amor

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