Quem Você Costumava Ser?

Outro dia eu me deparei com essa frase em um instagram motivacional e pensei: “Isso daria uma bela história”. Talvez não tão bela assim.

"Você se lembra quem você era antes do mundo dizer o que você deveria ser?"

“Você se lembra quem você era antes do mundo dizer o que você deveria ser?”

Quando eu ainda era bem pequena, eu me lembro que eu dançava. Em festas, mas também em casa, ouvindo jingles comerciais ou qualquer outra música que ouvia. E também via o mundo bem fora do padrão. Se pudesse desenhar, ou pintar, eu pintaria o mundo com minhas cores preferidas e não com as cores convencionais. Se a fogueira era azul, amarela e vermelha, eu pintava a minha de lilás, porque era mais bonita assim.

Eu não gostava de ficar sentada na cadeira da escola. Eu fazia a minha tarefa meio sentada, meio em pé (pronta para partir assim que terminasse). Tinha formiga na minha cadeira? sempre perguntavam. A verdade é que eu era criança e, sinceramente, criança não foi feita para ficar sentada na mesma posição por quatro horas. Nem duas! E sendo mesmo franca, nem os adultos.

Acrobata? sempre fui. Um dia, minha mãe chegou no jardim de infância e eu estava me jogando de cabeça para baixo no escorregador. Descer como os outros já não era tão divertido. Era preciso ser diferente.

Roupas? Pra quê?? Sempre morei em uma cidade equatorial onde não existe nem outono, quanto mais inverno! A temperatura está sempre entre 25ºC e 32ºC. Roupa pra quê? Vivia de calcinha dentro de casa, e quando saía, não me envergonhava em tirar a roupa onde estivesse. Incomodava, apertava, fazia calor!

Mas tudo isso era errado. Era errado até falar o que se pensava. Quando diziam para não fazer eu perguntava: “O que é que tem?” e nunca souberam me explicar por quê. Talvez, se ao menos tentassem me convencer o motivo daquilo ser errado, eu parasse de fazer para sempre.

Realmente, fiquei algum tempo sem pintar as fogueiras das cores que eu queria. Deixei de dançar por um tempo (não coincidentemente: mesma época em que precisei tratar a ansiedade com remédios). Às acrobacias, eu voltei há dois anos. E em casa, vivo nua. Só visto roupa para limpar a areia do gato que fica na sacada. Ou quando tem visita, lógico.

Aos poucos, estou voltando ao que era antes. Liberando de todas as couraças em que fui colocada. Ainda há muita coisa entranhada, muita lei erroneamente seguida por mim. Mas enquanto não as descubro, vamos seguindo, estudando, pesquisando e meditando: por que só assim a gente vai se conhecendo de verdade e deixando as LEIS DOS OUTROS para trás. E sendo feliz.

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