Ayer

Eu vi que você sorriu quando eu cheguei. O engraçado é que ao abrir a porta, a sala estava lotada, mas foi você quem eu vi primeiro e logo após vi o seu sorriso. A vontade que eu tinha era de correr e te abraçar ali mesmo, para matar essa saudade que me assola sempre que estou longe de ti.

Larguei minha bolsa em qualquer lugar, o mais rápido que poderia, e fui lá corresponder o seu sorriso com um beijo no rosto. Ali, foi feita a minha noite. Enquanto a lua minguava no céu, você tentava se enturmar. E conseguiu. Eu preferi sair, respirar ar puro, não pensar que não estavas mais *só* comigo. Estavas com todos.

Lá fora, estava quente, apesar de noite. O patrão varria a calçada, animado. A tutora mencionara; talvez por acidente, mas talvez não; sua impressão sobre nós. Para ela, já estávamos juntos. >> quem me dera, pensei! << Respondi que não, enquanto o balãozinho do pensamento indicava o que pensei logo depois… “Infelizmente não“. O olhar direcionou-se para o nada. Suspirei.

Saíram mais pessoas da sala. Contaram sobre você. Seu magnetismo é natural, atrai boas energias, admiração. Você é luz. Ilumina a todos e assim, querem estar por perto. Eu os entendo pois fui uma das primeiras a ser atingida e afetada por ela.

Tanta luz que ofusca.

Por isso, desviava o olhar durante a noite. Contentava-me com a visão periférica, que tentava descobrir se o seu olhar era voltado pra mim, ou para as outras. Encarar-lhe poderia cegar-me por alguns segundos e eu precisava de atenção e foco naquele momento.

Entregar-me à ação. Mover-me evitando a sua direção. Fingir que não estava nem aí quando estavas mais perto. Mas tentar tocar-te “acidentalmente” em uma ou outra atividade. Só para sentir um tantinho do que senti depois, no teu abraço. Abraço com sorriso. Tão rápido, que pareceu mais um flash. Poderia ficar ali para sempre…

No fim da noite, tive que fugir. Já estava tudo obviamente claro. Transparente. Reluzente. Tenho a impressão de que todos já perceberam. Por mais que eu tente evitar a exposição.

É preciso retornar ao palco. Zerar. Respirar compassadamente, controlando a expiração. Volta, Jazz. A realidade precisa de sua neutralidade. Não desse turbilhão de emoções que te fazem flutuar quando ele está por perto. Pés no chão, querida. Você pode se perder ao voar tão alto.

omnia-vincit-amor

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