Nos Anos Dois Mil

Até os anos 2000 eu ainda não tinha namorado. No colégio, eu sentia vontades, mas eram todas dirigidas para artistas que apareciam na TV ou me conquistavam pelas rádios, como Márcio Garcia e Jon Bon Jovi. Em minhas lembranças oníricas, eles realmente foram meus primeiros relacionamentos amorosos. Fazíamos sexo totalmente seguro, apenas telepático e unilateral.

Com isso e sem distrações, consegui entrar na Universidade de Medicina. Sem qualquer pretensão de tocar alguém fisicamente. Até porque, era feiosa, usava uns óculos enormes, tinha dentes tortos, diastema e era “carinhosamente” apelidada de Chiquinha pelos amigos do cursinho.

No primeiro ano de faculdade, um carinha se aproximou e pensou estar apaixonado por mim. Ele era meu amigo e eu não sentia a mínima atração por ele. Apesar de ele tocar violão, essas coisas que Bon Jovi fazia e eu gostava. Mas ele era gospel e tocava Legião Urbana… Dei seguidos foras nele durante todo o semestre, mas depois de MUITA insistência (e eu, sem nada melhor pra fazer), BEIJEI o cara (e foi péssimo!), no último dia do primeiro semestre. Por sorte, não o veria mais pelos próximos trinta dias. Disse que eu não queria namorar pois era muito NOVA (tinha 18 anos).

Em julho, fomos pra Mosqueiro. E lá, eu e minha prima que éramos bem dançarinas de axé, na época; tivemos umas das melhores férias das nossas vidas. Fizemos amizade com o pessoal da banda da casa vizinha e eles nos convidaram para dançar no trio com eles. True Story. Alguém gravou esse dia. Ainda bem que, naquele tempo, as coisas não eram digitalizadas e a K-7 já deve ter morrido de botulismo. Só sei que foi um dia inesquecível em que pude acompanhar o nascer e o pôr-da-lua que nos acompanhava naquele trio. Poderia ter sido um momento trash da vida (e muitas pessoas podem até me julgar por isso), mas sério que foi um dos dias mais marcantes e legais da minha vida.

Pois bem…

O contrabaixista da banda estava bem afinzão de mim. E começamos a sair. Saíamos despretensiosamente. Éramos amigos e conversávamos sobre quase tudo. Eu também não sentia muita atração física por ele, mas o cara era bem legal e fazia eu me sentir linda e interessante, por mais que eu não achasse nada disso. Depois de três meses de saídas, ele finalmente me beijou e logo começamos a namorar. Durou pouco pois, namoro sem atração, não dá.

Fiquei solteira por muito tempo (uns dois anos) e essa sempre tivera sido minha zona de conforto. Até que, no terceiro ano, conheci o que, de fato, foi meu primeiro relacionamento sério. Era um amigo do namorado de uma amiga (eita!). Ele se interessou, marcamos de sair para jogar (mímica). Ele pegou na minha mão no primeiro dia em que saímos e só. Foi tão bonitinho! Tinha poesia no ar. Uma leveza que me fazia ter segurança de que eu realmente era bonita, interessante e especial. Conversávamos pela internet e depois de uma semana, marcamos de ir ao cinema. Lá, ficamos e saímos já de mãos dadas. Comemorei com dancinha e tudo. Ele também (porque o amigo dele me contou). Mas só tínhamos ficado. No dia seguinte, ele sumiu. No outro, foi me visitar. E ficamos conversando por horas e horas. Na terceira vez que saímos, ele já me pediu em namoro e namoramos por logos e inesquecíveis um ano, onze meses e sete dias – quando eu terminei com ele.

Depois dele, tive outros namorados nesta década. Era simples. A gente ficava uma ou duas vezes com os carinhas e na terceira vez, eles já pediam para namorar com a gente. =P

Mas aí chegou a outra década. 2010. E parece que tudo mudou. Agora namoro era uma coisa muito séria que poderia até virar casamento. Na “minha” época, o namoro era como o “rolo” de hoje, contudo: monogâmico. A gente saía sem compromisso de casar, ou sei lá o quê, mas era relação entre duas pessoas e só. Se um ficava com outra pessoa, era término.

Hoje em dia, o namoro é quase um casamento. Antes você tem que ficar despretensiosamente (e isso, não envolve monogamia) e fica aquela insegurança dos dois lados de não saber quando o outro vai se cansar de vez de você (podendo sumir de repente ou ser pego com outra na balada e você sem poder fazer nada pois era só um rolinho) ou assumir logo uma relação séria/monogâmica.

Existem uns rolinhos incrivelmente gigantes, que duram três, quatro meses e não se transformam nunca em namoro. Que enrolado! No “meu tempo” era mais simples.

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